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Dr. Stefan Cunha Ujvari é médico infectologista e autor do livro “A história e suas epidemias” (Editora Senac).

Leishmaniose

Drauzio – Vamos falar um pouco sobre a leishmaniose. Quais as características gerais da doença?
Stefan – O agente transmissor do protozoário que provoca a leishmaniose é o flebótomo chamado Lutzomyia spp que se distribui pelas regiões centro-oeste e nordeste e alcança o sul, principalmente o Paraná.
Há duas formas de leishmaniose. A tegumentar, causada pela Leishmania braziliensis, L. amazonensis e L. guyanensis (as duas últimas restritas à região amazônica) acomete só a pele. A pessoa tem uma ferida que não cicatriza e descobre que está com a doença quando vai ao médico e faz uma biópsia. A outra é a leishmaniose visceral, causada pela Leishmania chagasi, em que há comprometimento do fígado e do baço.
Em 1997, houve um surto dessa doença em São Luís do Maranhão, Teresina e Fortaleza que coincidiu com o fenômeno El Niño e uma seca terrível que obrigou a população do interior a migrar para a periferia dessas cidades, levando consigo os cachorros, animais que funcionam como reservatório do parasita. O mosquito pica o cachorro e infecta o homem.

Drauzio Existe tratamento para a leishmaniose?
Stefan – Existe um remédio específico para a leishmaniose, sob a forma de injeção que o paciente deve tomar durante 21 dias. É importante destacar que, nas regiões de risco, lesão na pele que não cicatriza merece atenção especial, porque a forma mais leve da enfermidade não dá febre, mal-estar, nem o doente fica acamado. Em alguns casos, pode aparecer comprometimento da região do septo nasal. O nariz sangra e descasca, às vezes, há colabamento e o odor é fétido. O otorrinolaringologista é o médico indicado para diagnosticar o problema e conduzir o tratamento.
Nas formas mais graves, a pessoa tem febre, mal-estar, emagrece e o baçoaumenta de tamanho. Não se trata de uma doença que evolua rapidamente, é um pouco mais crônica. Por isso, se a febre custa a passar, as pessoas precisam investigar a causa do problema, porque uma das características da leishmaniose é provocar febre de duração bastante prolongada.