Demências frontotemporais
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Dr. Sergio Hototian é médico psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, especializado em geriatria.


Dificuldade de fala

DrauzioComo se manifesta essa dificuldade para falar? A voz fica empastada, o vocabulário empobrece? 
Sergio Hototian – Geralmente, aparecem distúrbios como a disartria, ou seja, uma dificuldade na produção dos fonemas, na articulação das vogais principalmente, e a afasia. Os pacientes acabam perdendo a capacidade de usar as palavras para expressar-se, não porque a memória tenha falhado, mas por causa da lesão no cérebro. Com a evolução da doença, podem deixar de falar definitivamente.
Vou dar um exemplo. No decorrer de um ano, uma paciente deu mostras de ter adotado um comportamento estranho e apresentou um distúrbio de fala, sintomas que passaram despercebidos. Quando os familiares notaram que ela começou a coletar e a guardar objetos inadequados, atribuíram o fato a uma mania própria da idade. No entanto, no final desse período, ela caiu em mutismo absoluto. Cinco anos mais tarde, não saiu mais da cama e desenvolveu um quadro tardio de distúrbio da memória. Ao contrário do que acontece com a doença de Alzheimer, porém, os testes neuropsicológicos apenas indicaram um déficit de atenção.