Diagnóstico

Drauzio – Como é feito o diagnóstico das demências frontotemporais?
Sergio Hototian – Certas características da doença foram descritas por Arnold Pick, em 1892, tendo como referência a história curiosa de um sujeito que levou uma machadada na região frontal do cérebro e chegou andando no hospital. Depois de algum tempo, porém, esse indivíduo desenvolveu uma série de alterações cognitivas e comportamentais associadas à degeneração do lobo frontal.
Atualmente, o diagnóstico clínico é realizado de acordo com os critérios propostos por Lund e Manchester, em 1994, para reconhecer os sintomas da doença, tais como desinibição, impulsividade, negligência com a higiene, dificuldade para resolver problemas, agressividade, depressão, sentimentalismo exagerado.
Segundo esses autores, com a evolução da doença, outros sinais importantes para o diagnóstico se manifestam. Entre eles podemos citar perda do controle dos esfíncteres, mudança de hábitos alimentares, consumo exagerado de tabaco e de álcool. Mesmo as pessoas que nunca beberam ou fumaram passam a fazê-lo de maneira compulsiva. Em geral, o último sintoma que aparece é alteração da memória.
Outra característica importante dessas síndromes é o comprometimento da fala. Aliás, as demências frontotemporais podem ter um perfil rapidamente progressivo quando surgem os distúrbios da fala.
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