Demências frontotemporais
Características
Alterações do comportamento
Reconhecimento dos sintomas
Diagnóstico
Dificuldade de fala
Outros sintomas
Comprometimento cerebral
Força de decisão
Tratamento e evolução


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Dr. Sergio Hototian é médico psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, especializado em geriatria.


Características

Drauzio Quais são as principais características da demência frontotemporal?
Sérgio Hototian – A demência frontotemporal é uma doença que abrange de 5% a 10% dos casos de síndromes demenciais. A prevalência é maior no sexo feminino, na minha opinião porque as mulheres vivem mais do que os homens.
Assim como a doença de Alzheimer e as demências vasculares, a DFT é uma enfermidade freqüente e importante, mas seus sintomas podem passar despercebidos. 
O primeiro sinal da doença é a mudança de comportamento no que se refere à resolução de problemas do dia-a-dia e a tendência à impulsividade. Começa a chamar a atenção da família a grande dificuldade que a pessoa mais velha demonstra diante de problemas já conhecidos e as formas diferentes de solução que encontra, muitas vezes, na base da força.

DrauzioEm geral, a DFT atinge pessoas em que faixa de idade?
Sergio Hototian – Geralmente, a partir dos 50 anos, e a evolução pode oscilar entre dois e vinte anos. No início, o principal sintoma é a depressão que costuma ser tratada com antidepressivos.
É importante ressaltar que depressões depois dos 50 anos devem levantar a suspeita de processo degenerativo do sistema nervoso, ou seja, de algum tipo de síndrome demencial. Isso não quer dizer que a pessoa recebeu um diagnóstico condenatório nem que terá de permanecer acamada num futuro próximo. Ao contrário, fechar o diagnóstico da síndrome de demência frontotemporal é de extrema importância, porque permite introduzir o tratamento para controlar os sintomas e, na maioria dos casos, ajuda o paciente a levar vida normal.

DrauzioVocê disse que a demência frontotemporal é caracterizada por mudanças de comportamento e por alterações na forma de resolver os problemas do cotidiano. Disse também que as pessoas com a doença tendem a tomar atitudes impulsivas. Você poderia dar um exemplo prático do que acontece com elas?
Sergio Hototian – Por exemplo: pacientes com alta escolaridade e que dirigem há muitos anos, de repente, começam a bater o carro com freqüência, não conseguem estacionar o veículo numa vaga e se atrapalham até para sair da garagem de casa. Ficam desatentos e se descuidam de observar os sinais de trânsito e os semáforos.
As síndromes frontotemporais geralmente passam despercebidas. Prefiro chamar de síndromes porque grande parte dos sinais e sintomas se instala antes de surgir o distúrbio da memória, que só fica evidente na fase final da doença.
De um outro exemplo você deve se lembrar. Quando começaram a realizar as cirurgias de revascularização cardíaca, as pontes de safena, foram muitos os casos de psicose cardíaca, que nada mais é do que uma crise de comprometimento frontal provocado pela exposição do cérebro a um hipofluxo, a uma pressão bastante baixa durante a operação que demorava muitas horas. Essa lesão imperceptível nos exames era responsável por mudanças no comportamento do paciente.