Álcool e outras drogas na gravidez
Gravidez sem álcool
Síndrome alcoólica fetal
Tolerância zero
Álcool e amamentação
Prejuízos causados pelo cigarro
Estudo na UNIFESP


Assuntos relacionados a genética






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Dr. Ronaldo Ramos Laranjeira é médico psiquiatra, phD em Dependência Química na Inglaterra e professor de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).


Tolerância zero

Drauzio O que podemos considerar uma dose segura de álcool durante a gravidez?
Ronaldo Laranjeira – Hoje, em relação ao álcool na gravidez, a tolerância é zero. Talvez seja essa uma das poucas situações em que ele está absolutamente proscrito. Nos Estados Unidos, prendem as gestantes que estiverem consumindo álcool ou outras drogas para afastá-las dessas substâncias durante a gravidez, por causa das evidências de que elas realmente afetam de forma significativa a criança em formação.
É lógico que fica difícil constatar os danos causados ao feto, quando expostos a uma pequena dose ocasional, vez por outra na gravidez, mas que o risco existe, infelizmente existe.

DrauzioSem dúvida, faz diferença beber meio cálice de vinho durante um jantar num dia especial, ou beber dez copos de vinho nesse dia.
Ronaldo Laranjeira – A grande diferença está no grau de toxicidade do álcool que chega ao feto. Ele é baixo se a mãe bebeu meio cálice de vinho durante a refeição num momento especial, porque a absorção do álcool ocorrerá junto com a dos alimentos e o risco de atingir a criança é baixo. Agora, se a mãe beber com o estômago vazio duas ou três doses consecutivas, sem dúvida o feto será afetado.

DrauzioNão tem conversa, a mãe bebeu, o álcool vai parar na circulação fetal...
Ronaldo Laranjeira – Não importa se é sábado, domingo ou dia de Natal. O álcool absorvido no estômago e duodeno passa para o sangue da mãe e atinge a criança. Não tem como escapar. Ela pode ser atingida por uma toxicidade ocasional e circunscrita com risco muito baixo, mas que cresce à medida que aumenta o número de doses.