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Rinite alérgica





Dr. João Ferreira de Melo Jr. é médico otorrinolaringologista, especialista em alergias.

Mecanismos de defesa


Drauzio
Como o aparelho respiratório se defende dessas agressões externas representadas por produtos químicos, bactérias, vírus, etc.?
João – Os sintomas são sempre os mesmos. O nariz entope para impedir que elementos nocivos penetrem no organismo, aparece coriza para lavar e expelir substâncias estranhas como vírus e bactérias, e a pessoa espirra para removê-las mecanicamente. Se a agressão for muito intensa, surge a tosse e, algumas vezes, ocorre fechamento da garganta para impedir a penetração dos germes.
Como o nariz em particular e o restante das vias aéreas fazem isso, varia um pouquinho. Nos alérgicos, por razões genéticas, esse mecanismo de defesa está comprometido e há a produção de anticorpos que agem contra a mucosa das vias aéreas, provocando aumento da quantidade de secreção. Os não alérgicos expostos à grande quantidade de poluição também manifestam esses sintomas, mas por mecanismos reflexos. Para deixar mais claro o que isso significa, imagine o que acontece quando uma pessoa encosta a mão numa panela fervendo. Ela puxa a mão bem depressa para não se queimar. O nariz tem reflexos “semelhantes”. Toda a vez que entra em contato com substância irritante, ele se defende provocando obstrução, coriza e espirros.
Não se pode deixar de dizer ainda que o nariz neutraliza os gases que inalamos e que as vibrícias, esses pelinhos que revestem internamente sua ponta, retêm as partículas maiores de sujeira. Além disso, a cavidade nasal é cheia de reentrâncias e saliências. O ar batendo nessas paredes que são cobertas por muco viscoso deixa nelas grudadas as partículas em suspensão. Assim, quando chega na parte de trás do nariz, na altura da garganta, o ar está com o grau correto de umidade, filtrado e aquecido, ou seja, com as características ideais para alcançar os alvéolos pulmonares onde se processa a troca gasosa.