|
|
|
||||||||||
|
|
|
Fatores de risco Drauzio – Existem fatores desencadeantes que aumentam o risco de quadros depressivos nas crianças? Sandra Scivoletto – Existem. Como nos adultos, luto, perdas, separação dos pais, dificuldade de adaptação a situações novas, mudança de escola e de domicílio podem gerar estresse, que vai desgastando a criança e conduzindo a um quadro depressivo. No entanto, na maioria dos casos, existe um componente hereditário, genético, mais significativo do que nos adultos, responsável pelo desencadear quadros de depressão na criança. Drauzio – Filhos de pais depressivos ou com parentes próximos com quadros de depressão correm maior risco de apresentar o problema? Sandra Scivoletto – Correm, e a depressão que se inicia na infância, geralmente, é mais grave. Por isso, a criança deve ser tratada o mais rápido possível. Drauzio – Qual é o inconveniente de não diagnosticar a doença e não iniciar o tratamento precocemente? Sandra Scivoletto – Primeiro, a dificuldade de aprendizado é grande. Depois, a criança vai crescer achando que a alegria estampada nas outras pessoas não foi feita para ela e conforma-se com esse referencial. Mais tarde, quando adolescente, estará mais propensa ao uso de drogas, porque irá procurar alguma coisa que alivie esse desconforto permanente. Não é possível que só os outros consigam ser felizes. Drauzio – Num primeiro momento, as drogas fazem isso num piscar de olhos… Sandra Scivoletto - Juntar o imediatismo próprio do adolescente com o alívio momentâneo que a droga dá é um caminho que passa a falsa impressão de que o problema está resolvido. Isso torna a situação mais difícil ainda. Quando ouve que deve abandonar o uso de droga, ele argumenta: “Logo agora que estou me sentindo bem e sem a droga passo mal?”. Drauzio – Nos adultos, a estimativa é que para os quadros depressivos sejam mais freqüentes nas mulheres (três mulheres para cada homem). Nas crianças, essa diferença entre os sexos também existe? Sandra Scivoletto – Na infância, a ocorrência de depressão é praticamente igual nos dois sexos. A diferenciação começa na adolescência, fase em que as meninas são mais vulneráveis e, sem dúvida, a questão hormonal interfere consideravelmente nesse processo. |
|||||||||