Indicação cirúrgica

Drauzio – Se a doença
não regredir em 72 horas com o tratamento clínico, qual
a conduta indicada?
Aytan Sipahi – Se não regredir, o paciente
deve ser encaminhado para intervenção cirúrgica
ou para drenagem do abscesso, através de punção
transcutânea. Se os abscessos são pequenos, esse método
ajuda a combater o processo de infecção que poderia
generalizar-se. Quando são maiores ou são muitos e não
houve resposta ao antibiótico, a conduta é sempre cirúrgica.
Drauzio – Como é feita essa cirurgia?
Aytan Sipahi - Antigamente, a cirurgia podia ser
feita num tempo só – tirava-se o segmento comprometido
e fazia-se a anastomose, ou seja, a ligadura das duas extremidades
do cólon - ou em três tempos quando as condições
do paciente estavam deterioradas e nos casos de septicemia, por exemplo.
Num primeiro momento, fazia-se uma colostomia, ou seja, exteriorizava-se
a parte mais proximal do cólon através da parede do
abdômen e deixava-se o segmento comprometido pelos divertículos
e abscessos para ser retirado numa segunda etapa do processo. Só
mais tarde eram unidas as duas extremidades do cólon para recompor
fisiologia normal.
Como a história da medicina mostrou que esse método cirúrgico
provocava várias complicações e era causa expressiva
de mortalidade, a cirurgia passou a ser feita em dois tempos. Numa primeira
intervenção, retira-se o segmento comprometido do cólon
e faz-se a colostomia. Num segundo momento, liga-se a borda proximal
do cólon com a borda distal, próxima ao reto. Essa técnica,
que já foi muito bem descrita na literatura, é conhecida
como cirurgia de Hartman.
Drauzio – Por que é preciso exteriorizar
o intestino, se isso causa tanto desconforto para os pacientes?
Aytan Sipahi – Embora a anastomose inicial
possa ser feita na maioria dos casos, há o risco de ruptura
dos pontos, o que provoca a abertura de um orifício por onde
as fezes escapam e surgem complicações como a peritonite.
Num paciente em más condições de nutrição
ou imunossuprimido, isso é de extrema gravidade.
Drauzio – Você disse que 80% dos
pacientes com diverticulite ficam curados com o tratamento clínico.
Por que depois de algumas semanas precisam fazer colonoscopia para
ter certeza do diagnóstico?
Aytan Sipahi – Porque os sintomas podem simular
doenças como o tumor de cólon, a doença de Crohn
ou mesmo doença da bexiga ou de outros órgãos
anexos ao intestino.
Drauzio – A colonoscopia é, então,
um exame obrigatório para esses pacientes?
Aytan Sipahi – É obrigatório.
Atualmente, no Brasil, a endoscopia está bastante desenvolvida
e em qualquer lugar se pode fazer um exame com segurança.