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Reflexos conjugais MB- Muita gente se gaba de conseguir dormir apesar do barulho, da claridade, ou do companheiro de cama que ronca. Se analisarmos, porém, a microestrutura do sono dessas pessoas, veremos que também está alterada. É comum o marido ser roncador e a mulher insone, ou vice-versa. Brinco com esses pacientes que vou tratar de dois pelo preço de um. No fundo, isso é verdade porque os distúrbios do sono, muitas vezes, são responsáveis pelos desencontros conjugais. O apnéico pode ter uma falta de oxigenação tão importante que perde o interesse sexual. No dia seguinte mais irritado porque dormiu mal, não consegue administrar o cotidiano, perde o emprego, fica doente. O parceiro, obrigado a transferir-se para outro quarto na esperança de uma noite de sono tranqüilo, também está insatisfeito e impaciente. É uma complexidade comportamental que deteriora o convívio. Já presenciei muitos casais esfacelados que se reestruturam quando o doente é tratado. DV- Até pouco tempo atrás, os barbitúricos representavam o tratamento indicado para os distúrbios do sono. O que pensam os especialistas sobre o assunto, no momento? MB- Tanto as drogas mais antigas, como os diazepínicos da década de 50 e 60, quanto as mais modernas causam dependência e tolerância. Portanto, procura-se usá-las por curto período de tempo. Atualmente, a conduta indicada pressupõe medidas comportamentais. O bio-feedback, por exemplo,é uma técnica de relaxamento que parece ser promissora para o tratamento da insônia sem medicamentos. Veja o caso da melatonina, um hormônio cuja produção diminui com a idade. O idoso pode estar dormindo menos porque houve redução desse hormônio em seu organismo. Nesse caso, é possível repô-lo em pequenas doses sob absoluto controle médico, ao contrário do que acontecia há três anos, quando era usado indiscriminadamente. Sua indicação também é pertinente para regular o horário do sono, isto é, para adiantar ou atrasar a fase de sono. Imaginemos um paciente que durma muito tarde. Pode-se tentar antecipar sua hora de dormir com melatonina ou com exposição à luz visto que nosso ciclo geofísico muda conforme a latitude. Na Finlândia, como se sabe, o foto-período é menor; no Equador, é maior, o dia é mais longo. Isso pode interferir no sono e provocar depressão em algumas pessoas. Nessas situações, a melatonina pode ser um recurso para acertar o relógio biológico das pessoas. |
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