Conduta

Drauzio – Qual é
sua conduta quando verifica que uma criança tem dislexia?
Salomão Schwartzman – Encaminho para
um profissional da área de psicopedagogia ou de fonoaudiologia
ou para alguns psicólogos que se especializaram nesse tipo
de distúrbio. Eles vão tentar agir sobre o ponto do
mecanismo da leitura que aquele disléxico tem comprometimento
maior para ajudá-lo a superar a dificuldade na medida do possível.
Vou também instrumentalizar a escola para que possa atuar de
forma adequada com esse aluno que não é burro, não
é deficiente, não é preguiçoso, mas apresenta
uma dificuldade real, diante da qual tem dois caminhos a seguir. Primeiro:
é acomodar-se com a idéia de que não vai aprender
a ler, porque – “Coitado de mim, sou disléxico!”
- ou, então, apesar de saber que tem dislexia, fazer de tudo
para superar as dificuldades e ser um vencedor como Shakespeare, Michelangelo,
da Vinci, ou um bom funcionário de banco, um bom médico.
Drauzio – Como devem agir os pais quando
percebem a dificuldade da criança?
Salomão Schwartzman – A experiência
clínica me mostra que pais de uma criança que não
vai bem na escola e não conseguem imaginar por que isso acontece,
ficam extremamente aliviados quando ouvem uma explicação
racional para a dificuldade do filho. Primeiro, porque se libertam
do sentimento de culpa: “O que fiz de errado para meu filho
ir mal na escola?” é uma pergunta que todos se fazem.
Depois, porque diminui de imediato o nível o nível de
ansiedade da família quando sabem que o filho não é
preguiçoso nem safado, mas tem uma dificuldade real e quando
são orientados sobre o caminho a seguir.
O fundamental é identificar o problema e dar instrumentos para
a criança, apesar da dificuldade, levar vida normal do ponto
de vista acadêmico, familiar e afetivo. Há indivíduos
que vão depender sempre de um corretor de texto. E daí?
Muitos escritores famosos fazem isso sem constrangimento. Como eles,
os disléxicos também podem escrever livros belíssimos,
desde que corretamente orientados.
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