Dislexia
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Dr. José Salomão Schwartzman é neuropediatra. Formado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, especializou-se em Neurologia Infantil no Hospital for Sick Children, em Londres, e é professor titular de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Conduta

Drauzio Qual é sua conduta quando verifica que uma criança tem dislexia?
Salomão Schwartzman – Encaminho para um profissional da área de psicopedagogia ou de fonoaudiologia ou para alguns psicólogos que se especializaram nesse tipo de distúrbio. Eles vão tentar agir sobre o ponto do mecanismo da leitura que aquele disléxico tem comprometimento maior para ajudá-lo a superar a dificuldade na medida do possível. Vou também instrumentalizar a escola para que possa atuar de forma adequada com esse aluno que não é burro, não é deficiente, não é preguiçoso, mas apresenta uma dificuldade real, diante da qual tem dois caminhos a seguir. Primeiro: é acomodar-se com a idéia de que não vai aprender a ler, porque – “Coitado de mim, sou disléxico!” - ou, então, apesar de saber que tem dislexia, fazer de tudo para superar as dificuldades e ser um vencedor como Shakespeare, Michelangelo, da Vinci, ou um bom funcionário de banco, um bom médico.

DrauzioComo devem agir os pais quando percebem a dificuldade da criança?
Salomão Schwartzman – A experiência clínica me mostra que pais de uma criança que não vai bem na escola e não conseguem imaginar por que isso acontece, ficam extremamente aliviados quando ouvem uma explicação racional para a dificuldade do filho. Primeiro, porque se libertam do sentimento de culpa: “O que fiz de errado para meu filho ir mal na escola?” é uma pergunta que todos se fazem. Depois, porque diminui de imediato o nível o nível de ansiedade da família quando sabem que o filho não é preguiçoso nem safado, mas tem uma dificuldade real e quando são orientados sobre o caminho a seguir.
O fundamental é identificar o problema e dar instrumentos para a criança, apesar da dificuldade, levar vida normal do ponto de vista acadêmico, familiar e afetivo. Há indivíduos que vão depender sempre de um corretor de texto. E daí? Muitos escritores famosos fazem isso sem constrangimento. Como eles, os disléxicos também podem escrever livros belíssimos, desde que corretamente orientados.

Site
www.schwartzman.com.br