O que é

Drauzio – O que é
dislexia?
Salomão Schwartzman – A palavra dislexia
significa dificuldade de leitura. Atualmente, é empregada para
designar um grupo de pessoas que, por condição congênita,
nasce com dificuldade muito grande de decodificar o estímulo
escrito ou o símbolo gráfico. Apesar de inteligentes
e de terem a oportunidade de freqüentar escolas adequadas, essas
pessoas não aprendem a ler e a escrever como se esperaria que
o fizessem.
Drauzio - Quando você diz que não
conseguem decodificar o símbolo gráfico, significa que
os disléxicos lêem a palavra gato, sabem o que é
um gato, podem ter um gato de estimação em casa, mas
não relacionam o que está escrito com aquele animal
doméstico?
Salomão Schwartzman – Isso também
acontece. No entanto, é de extrema importância destacar
que existem graus diferentes de gravidade de dislexia. Há um
grau tão grave que os franceses chamavam de cegueira verbal
congênita, porque o indivíduo chegava à vida adulta
incapaz de entender uma palavra, por mais simples que fosse. Ou seja,
esses disléxicos olhavam para a escrita da língua-mãe,
como eu olharia para uma palavra grafada em russo, uma vez que não
entendo esse idioma e não conseguiria atribuir nenhum sentido
aos riscos e pontos que tenho diante e mim.
Felizmente, essa não é a forma mais comum de dislexia.
A mais comum é a pessoa apresentar uma inabilidade para decifrar
o código, o que acaba fazendo, mas com dificuldade.
Há o mito de que os disléxicos são mais inteligentes
do que os não-disléxicos. Einstein, Leonardo da Vinci,
Shakespeare mostram que, apesar da dislexia, eram tão competentes
que conseguiram fazer o que fizeram. A verdade é que o fato
de o indivíduo ser disléxico não impede que tenha
vida útil. O importante é que seja identificado como
tal e por isso não aprende de acordo com o que se espera para
não ser rotulado de preguiçoso, burro, deficiente.
Drauzio – Que tipo de dificuldade apresenta
o indivíduo com um quadro mais leve de dislexia?
Salomão Schwartzman – É aquele
sujeito que teve um pouco mais de dificuldade para ser alfabetizado,
mas conseguiu, embora siga pela vida adulta confundindo “s”
com “ç” e fazendo algumas inversões quando
escreve ou quando lê. Ele troca “p” por “b”,
“m” por “n”, uma sílaba pela outra.
Por exemplo, em vez de “gato” escreve “toga”
sem dar-se conta do que fez. Para o disléxico leve, o corretor
de texto representou enorme benefício.
Drauzio – O disléxico pode apresentar
outras dificuldades além das que já foram citadas?
Salomão Schwartzman – Embora a dificuldade
maior seja para a leitura e a escrita, existem outras que podem estar
associadas. Uma das mais freqüentes é a dificuldade de
entendimento de um texto. Há disléxicos que lêem
até razoavelmente bem, mas têm dificuldade enorme para
entender o que estão lendo. Outros não conseguem decorar
a tabuada, não porque apresentem algum distúrbio de
memória, mas porque têm dificuldade seletiva para esse
tipo de símbolo matemático. Não decoram a tabuada,
mas conseguem resolver problemas e decorar uma poesia.
Drauzio – O que acontece com o disléxico,
quando o distúrbio não é identificado?
Salomão Schwartzman – Ele vai desenvolvendo
estratégias. Por exemplo, em vez de ler a palavra sílaba
por sílaba como se faz normalmente, decora o formato e o tamanho
da palavra e, quase que por adivinhação, encaixa-a dentro
do contexto. Desse jeito, consegue ser até um leitor razoável.
|
 |