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Dr. Cláudio Guimarães dos Santos é médico. Neurocientista da Universidade Federal de São Paulo, trabalha na reabilitação de pacientes com disfunções cognitivas.


Estímulo à leitura

Drauzio – Há como estimular a capacidade de leitura de uma criança?
Cláudio G. dos Santos –
A capacidade de leitura pode ser otimizada precocemente. Desde que o mundo é mundo, criança pequena gosta de que leiam para ela. Se a pegarmos no colo, abrirmos um livro e mostrarmos que a história está ali, registrada naquele livro, estaremos estimulando o desenvolvimento de sua capacidade de leitura e escrita. Primeiro, porque ela começa a interessar-se pelos livros. Segundo, porque estabelece correlações, mesmo que rudimentares, entre o que está sendo falado e o que está sendo mostrado. Terceiro, porque desperta sua curiosidade para decodificar os sinais que se transformam na história que ouve.
Além do start que dá no processo de aprendizado da leitura, ler para a criança é importante do ponto de vista da formação filosófica e psicológica. É importante também porque passa informações morais que a ajudam a socializar-se, a tornar-se um ser humano que respeita regras, planeja, controla suas vontades.

DrauzioQue mais se pode fazer para estimular o desenvolvimento da linguagem nas crianças?
Cláudio G. dos Santos - As antigas cantigas infantis que estão se perdendo por influência da mídia precisam ser recuperadas, porque favorecem o desenvolvimento da consciência fonológica, da capacidade de a criança pensar na estrutura sonora das palavras. Quando canta “Atirei um pau no gato-to-to, mas o gato-to-to não morreu” ela vai descobrindo que a sílaba to que aparece em gato, faz parte também de outras palavras. Brincar com rimas é outra estratégia até certo ponto lúdica que não deve ser deixada de lado.

DrauzioQual é a idade ideal para esse tipo de atividade?
Cláudio G. dos Santos – Crianças estimuladas entre três e cinco anos serão melhores leitoras do que aquelas que não foram.

DrauzioCrianças que apresentam dislexia na infância podem aprender a ler normalmente depois?
Cláudio G. dos Santos – Algumas, sim. Outras permanecem com deficiências. De certa maneira, porém, esses quadros podem ser bastante melhorados.