Evolução do quadro

Drauzio – Na sua opinião,
crianças com dislexia devem freqüentar uma escola comum
e priorizar o aprendizado oral enquanto fazem o tratamento específico.
Como costuma ser a evolução dessas crianças quando
os casos são bem orientados?
Cláudio G. dos Santos – Em parte talvez porque,
no passado, outros transtornos de aprendizagem eram associados às
dislexias, a epidemiologia desses processos é muito confusa,
tanto no Brasil quanto no exterior. Para dar uma idéia, os
dados sobre a prevalência da dislexia fonológica variam
entre 1% e 30%, números bastante díspares.
No que se refere ao tratamento, a evolução do paciente
é extremamente peculiar e idiossincrásica. Dependendo
de como foi instituído, das características do indivíduo,
de seu background familiar, de como foi estimulado durante o desenvolvimento,
o prognóstico pode ser melhor ou pior.
Isso vale não só para a dislexia, mas para as disfunções
cognitivas em geral. Hoje sabemos - e enfatizamos muito em nosso grupo
- que o tratamento deve ser individualizado. Lidar com reabilitação
nessa área é diferente de tratar um caso de meningite
meningocócica. Nessa doença, o tratamento é padronizado.
A mesma droga pode ser administrada para a maioria das pessoas, respeitando
apenas particularidades como peso corpóreo, dosagem adequada,
etc.
Nas disfunções cognitivas, na dislexia em especial,
o tratamento é quase sob medida (os ingleses o chamam de
taylormade). Recentemente, um grupo de especialistas do Canadá
demonstrou interesse por nosso trabalho porque defendemos uma perspectiva
de tratamento que privilegia a individualização, enquanto
nos países anglo-saxônicos, a tendência é
padronizar.