Dislexa
Conceito e classificação
Dislexias de desenvolvimento
Dislexia discursiva
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Funções cognitivas adquiridas
Evolução do quadro
Tratamento
Estímulo à leitura
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Exemplo prático






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Dr. Cláudio Guimarães dos Santos é médico. Neurocientista da Universidade Federal de São Paulo, trabalha na reabilitação de pacientes com disfunções cognitivas.


Dislexia discursiva

Drauzio – De que outras formas pode manifestar-se a dislexia de desenvolvimento?
Cláudio G. dos Santos –
A dislexia ou dificuldade de leitura pode manifestar-se num nível diferente. A criança é alfabetizada, mas se mostra incapaz de adquirir estratégias de produção e decodificação textual. Até consegue ler as palavras. Não consegue, porém, estabelecer ligações entre elas, nem correlacionar as sentenças e formar a macro-estrutura do texto.
Essa dificuldade de processar textos faz com que mal e mal continue o processo de escolarização. Embora consiga passar pelo ciclo básico, quando as disciplinas adquirem especificidade e a linguagem escrita se transforma num instrumento para a aprendizagem de matemática, história, ciências, geografia, entre outras, seu desempenho é catastrófico. No geral, é uma criança que vai relativamente bem até a terceira ou quarta série, mas não consegue acompanhar a quinta série.
Esse quadro, até onde sei, foi descrito pelo nosso grupo e eu o chamei de dislexia discursiva para diferenciar da dislexia ligada ao fonema, à sílaba, ao universo da palavra, enfim. Ele reflete uma incapacidade de processar discursos escritos, uma incapacidade para decodificar e formular o texto escrito. A criança vai mal na prova de geografia, por exemplo, porque não consegue entender o enunciado das questões e muito menos escrever uma resposta. Em muitos casos, a criança domina as informações e sabe transmiti-las oralmente, mas não é capaz de entendê-las quando está lendo.

DrauzioQuando a professora faz um ditado, essas crianças são capazes de escrever corretamente as palavras?
Cláudio G. dos Santos – Se a dislexia for discursiva, conseguem; se for fonológica, não conseguem. Crianças com dificuldade de imaginar a estrutura da palavra correspondente ao som vão cometer erros porque não têm esse mapeamento bem estabelecido. Como se trata de duas situações diferentes, obviamente elas merecem atenção individual e personalizada.