Exemplo prático

Drauzio – Você poderia
dar um exemplo de como se deve trabalhar com essas crianças?
Cláudio G. dos Santos – O grande problema de
uma criança com dislexia fonológica é a correlação
entre sons e letras, a correlação fonema/grafema. Para
melhorar essa percepção, podemos trabalhar com palavras
que têm sons semelhantes em determinadas posições
- molhada e folha – com o propósito de fazer a criança
reconhecer que a estrutura LH, por exemplo, tem a mesma grafia e o
mesmo som independentemente do lugar que ocupe na palavra.
Para abordar a questão dos espelhamentos, isto é, das
inversões de sílabas ou de letras, um erro comum nessas
crianças, pode-se colorir as sílabas ou enfatizar certos
aspectos de uma palavra específica dentro de um texto maior.
O trabalho com rimas para estimular a consciência fonológica,
isto é, a capacidade de perceber a estrutura sonora da palavra,
também é muito proveitoso. É importante para
a criança perceber que o CA de casa é o mesmo CA de
cachorro e que peteca rima com sapeca. Outra estratégia é
explorar a divisão silábica. É difícil
para essas crianças perceberem que as palavras podem ser divididas
em sílabas.
Em outra etapa, todos esses elementos são associados ao significado
das palavras e do texto. Ler não é simplesmente pronunciar
os vocábulos nem estabelecer a correlação entre
fonema e grafemas. É preciso compreender o que as idéias
que o texto veicula.
Drauzio – Isso depende de treinamento?
Cláudio G. dos Santos – Depende dessa
interação dentro de uma perspectiva motivacional e relevante.
É fundamental que se estabeleça boa relação
entre o terapeuta e a criança que está sendo tratada,
que precisa entender o que está sendo feito com ela. Um passo
importante na evolução do caso é dado quando
ela própria começa a apropriar-se do tratamento e sugere
as atividades que deseja fazer. Dentro de certos limites, isso configura
melhor prognóstico.
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