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Doença crônica Drauzio – Além de estar atenta aos hábitos alimentares, o que a pessoa deve fazer para manter o novo peso? Halpern – A pessoa precisa saber que tem uma doença crônica, de caráter orgânico, chamada obesidade. Ela pode não estar doente naquele momento já que conseguiu perder peso, mas é doente porque seus genes estão aparelhados de tal forma que ela será obesa se não tomar cuidado. Depois, precisa aprender a enfrentar as “forças engordativas”, termo que criei para designar inimigos que estarão presentes durante toda a sua vida. Se a pessoa que emagreceu, conseguir manter o novo peso por um bom tempo, as forças engordativas ficarão mais débeis. Caso contrário, se fortalecem. O organismo fica impaciente e quer recuperar o que foi perdido. É o famoso ioiô ou efeito sanfona - engorda, emagrece; engorda, emagrece – que acontece com muita gente. Pelo que se sabe hoje, é melhor a pessoa continuar gorda do que se expor a essa perda e ganho de peso, pois o efeito sanfona é causa de inúmeras doenças. Drauzio – Não se pode esquecer de que, quando ocorre perda de peso, o cérebro tende a fazer o organismo voltar ao peso inicial. Halpern – Se a pessoa que pesava 120kg chega aos 80kg e consegue manter esse peso por dois anos, a tendência para voltar ao peso antigo é menor. Durante o processo de emagrecimento vão ocorrendo platôs. O inverso é verdadeiro quando engordamos. Aos 20 anos, o indivíduo pesa 70kg. Com 30, 75kg. Aos 40, 85kg, porque o organismo vai tendo memória dos novos pesos. Quando ele chega aos 100kg, é preciso perder peso e ajustar de novo a sintonia. Isso exige prática. Leva tempo. O Claudir Franciatto descreve esse processo no livro que escrevemos. Se baixar a guarda, qualquer um recupera o peso num instante. Drauzio – Você acha que as mães têm um pouco de responsabilidade nesse processo de ganho de peso, já que insistem para os filhos pequenos comerem tudo. “Olhe, menino, se não raspar o prato, hoje não tem sobremesa”. Halpern – Embora os casos de obesidade infantil estejam aumentando, não acho que o problema seja só de responsabilidade dos pais. Na verdade, o comportamento deles está mudando. Mesmo assim, como dizia Freud, as mães são sempre culpadas. |
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