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Estilo de vida Drauzio – E quanto aos fatores de risco ligados ao estilo de vida? Cássio Bottino – Esse tema foi incluído no questionário em 2001, quando estávamos planejando o estudo e começaram a surgir os primeiros resultados de pesquisas realizadas na década de 1990, nos Estados Unidos e Europa, mostrando a associação entre hábitos de vida saudável e redução do risco de desenvolver demência. Esse é um aspecto da pesquisa a respeito do qual temos muita curiosidade e que estamos começando a analisar. Drauzio – Como você descreveria esses hábitos saudáveis? Cássio Bottino – São considerados hábitos saudáveis as atividades intelectuais de maneira geral, por exemplo, jogos, leitura, visitas a museus e prática de atividade física. Drauzio – Vamos começar pela importância da atividade física. Cássio Bottino – Ficou claro que no grupo de idosos que não têm o hábito de praticar atividades físicas, o risco de transtorno cognitivo foi bem maior, praticamente o dobro, se comparado com o grupo daqueles que fazem caminhadas, mesmo caminhadas leves, jardinagem, etc. Outro aspecto interessante refere-se aos idosos que mantêm uma ocupação, incluindo aí o trabalho voluntário. Nesse grupo, foram observados também menos casos de suspeita de demência. Drauzio – Será que os idosos que estão trabalhando aos 80 anos conseguem fazê-lo porque não desenvolveram nenhum distúrbio importante de cognição ou será que não desenvolveram esse distúrbio porque se mantiveram trabalhando? É possível caracterizar esse dado rigorosamente? Cássio Bottino – Essa é uma questão que um estudo transversal como o nosso não consegue responder. Ele funciona como uma fotografia que reflete a situação dos idosos investigados num determinado momento. Para ter uma idéia mais conclusiva, é preciso fazer um seguimento dessa população durante dois ou três anos. Só assim será possível estabelecer uma medida mais fiel da associação entre hábitos e atividades e o aparecimento de casos de transtorno cognitivo. No entanto, estudos recentes desse seguimento feitos em outros países mostram que a prática de exercícios físicos e principalmente a manutenção de atividade intelectual, como leitura e jogos, parecem constituir fator de proteção importante. Drauzio – Que jogos são esses aos quais você se refere? Cássio Bottino – Jogos de carta ou jogos de tabuleiro, como xadrez e damas, por exemplo. Num estudo feito em Chicago (USA), os pesquisadores observaram que a atividade intelectual era mais importante do que a atividade física em termos de proteção contra o aparecimento de demência no futuro. Nosso estudo também mostrou que, além da atividade física e da ocupação, o hábito de ler, de jogar e mesmo de fazer palavras cruzadas diminuía o risco de comprometimento cognitivo. Drauzio – Existe alguma diferença nos resultados quando os idosos vivem na companhia de famílias numerosas e quando vivem isolados? Cássio Bottino – Esse é um dado que ainda estamos analisando. No entanto, já sabemos que nos viúvos, independentemente do sexo, é maior a freqüência de comprometimento cognitivo. Vale mencionar que, na amostra populacional por nós pesquisada, havia mais ou menos 2/3 de mulheres e 1/3 de homens, dado que esperávamos encontrar e que se explica pelo fato de as mulheres viverem mais do que os homens. Drauzio – A pesquisa revelou se esses distúrbios são mais freqüentes entre os homens ou entre as mulheres? Cássio Bottino – Nós observamos freqüência um pouco maior entre as mulheres, mas não é uma diferença significativa. Essa discussão faz parte da literatura sobre o assunto. Alguns estudos já mostraram que o risco nas mulheres é maior, pelo menos quando se trata de algumas doenças como a Doença de Alzheimer. Acredito que, no final da pesquisa, será possível identificar casos de demência provocados por problemas cerebrovasculares, degenerativos do tipo Alzheimer e se a variável sexo tem influência no aparecimento desses distúrbios. |
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