Método aplicado

Drauzio – O idoso
que concordava em participar da pesquisa era submetido a um questionário?
Cássio Bottino – Começava-se
aplicando um questionário sobre os antecedentes do idoso: doenças
e hábitos de vida. Depois, eles eram submetidos a testes para
avaliar-lhes a memória e a capacidade de concentração
e de atenção. Por fim, procurava-se entrevistar um familiar
ou uma pessoa próxima que fornecesse informações
sobre idoso.
Drauzio – Muitas vezes, a pessoa de idade não reconhece
que tem problemas seriíssimos. Apesar de não gravar
mais na memória nenhum acontecimento recente, acha que ela
funciona muito bem.
Cássio Bottino – É muito comum o idoso achar que
não tem nenhum problema. Por isso, a estratégia da pesquisa
incluía também a entrevista com um familiar. Desse modo,
com o intuito de assegurar a veracidade dos dados obtidos, recorríamos
a duas fontes de informação para identificar possíveis
casos de demência.
Drauzio – Baseando-se nas respostas ao
questionário do idoso e do familiar e nos testes, vocês
podiam diagnosticar com precisão déficits discretos
de memória ou de cognição?
Cássio Bottino – Essa é uma questão
importante. Por conta da própria estratégia da pesquisa,
tínhamos grupos bem distintos. Em São Paulo, por exemplo,
foram entrevistados 250 idosos analfabetos, 400 idosos com cerca de
nove anos de escolaridade e um grupo grande entre os dois citados.
Como a escolaridade influencia muito o desempenho e os testes eram
aplicados previamente, estabelecemos pontos de corte de acordo com
a escolaridade do idoso entrevistado, embora a idéia fosse
sempre incluir o maior número possível de pessoas.
Num teste de screening de campo como esse, a possibilidade de acertar
gira em torno de 60%, isso quando o teste é muito bom. Portanto,
é óbvio que os resultados obtidos no campo pesquisado
não retratam a freqüência real de demência
na população estudada.