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Dr. Marco Aurélio Dias, falecido recentemente,
era cardiologista e trabalhava no Instituto Dante Pazzanese, um
dos maiores centros de cardiologia do Estado de São Paulo. No livro
"Quem Ama não Adoece", dirigido ao público leigo, ele discutiu a
influência das emoções nas doenças humanas, especialmente nas doenças
do coração.
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Como evitar o estresse

Drauzio - Já que não podemos evitar os problemas
nem resolvê-los todos, qual a melhor maneira de enfrentá-los?
Marco Aurélio Dias - Como já
salientamos, certo grau de estresse é inerente ao estar vivo
e pode ser provocado por acontecimentos bons ou ruins. Por exemplo,
se considerarmos duas importantes fontes de estresse, o casamento e
a separação, veremos que, embora antagônicas, ambas
são estressantes.
Entretanto, se os efeitos do estresse comprometem a saúde, a
qualidade de vida e os momentos felizes, é fundamental encontrar
uma saída. Nesse caso, já que as pessoas não podem
fugir dele, sugiro algumas dicas para ajudá-las a minorar seus
efeitos nocivos.
Dica 1---BRIGA CONTRA O RELÓGIO
Estou convencido de que o tempo pode exercer pressão negativa
sobre as pessoas. A falta de intervalo entre os compromissos e a preocupação
em fazer o dia render representam os fatores mais imediatos de estresse
na vida moderna. Para acabar com essa “briga contra o relógio”,
é preciso tentar programar melhor a vida. Como? Evitando assumir
compromissos em horários muito próximos uns dos outros,
saindo de casa com tempo suficiente para enfrentar alguns imprevistos
sem desespero, planejando melhor as atividades, estabelecendo prioridades
e respeitando, o mais possível, o planejamento estabelecido para
aquele dia.
Dica 2---ATIVIDADE FÍSICA
Atividade física regular é fundamental para o bem-estar
das pessoas. Se me dissessem - só posso pôr em prática
uma de suas dicas -, sem dúvida recomendaria a atividade física,
porque ajuda a combater os outros fatores de risco, facilita a descarga
das tensões acumuladas e diminui os efeitos nocivos do estresse.
O indivíduo que tem uma atividade física regular, o que
não significa treinar para ser atleta ou correr a maratona, geralmente
não é obeso porque o excesso de peso deriva da desproporção
entre o que se come e o que se gasta, deixa de fumar com mais tranqüilidade,
baixa o nível do mau colesterol e eleva o do bom colesterol,
controla melhor a pressão arterial.
Quando falo em atividade física, insisto em três aspectos
essenciais:
a) implementação de um estilo de vida mais ativo, isto
é, procurar mexer-se sempre que possível. Quer alguns
exemplos? Estacione o carro um pouco mais longe e caminhe até
onde pretende ir. Esqueça-se do elevador e vá pelas escadas.
Escolha lugares em que possa fazer as compras a pé;
b) movimentação das articulações - uma
das coisas que mais comprometem a qualidade de vida das pessoas que
envelhecem, é o enrijecimento das articulações.
Os especialistas recomendam para quem trabalha sentado que, a cada 50
minutos, passe 5 ou 10 minutos se mexendo. Espreguice, mova a cabeça
de um lado para o outro, para cima e para baixo, vergue a coluna, ative
as articulações para preservar sua flexibilidade e movimentos;
c) conceituação de atividade aeróbica regular
- quando mencionamos atividade aeróbica, muitos pensam nas academias
onde as pessoas se exercitam até a exaustão. Considera-se
aeróbico o exercício que faz com que o organismo use oxigênio
como fonte de energia. Todos os indivíduos possuem um limiar
aeróbico. Por isso, se mantido o esforço, o organismo
utiliza outras fontes de energia que não o oxigênio, e
o que era saudável passa a ser prejudicial.
A atividade aeróbica saudável é a que produz pouco
cansaço e não deixa a pessoa ofegante, permitindo que
a pessoa converse normalmente durante os exercícios. Além
disso, deve ser regular. Não é aconselhável passar
a semana atrás de uma escrivaninha e, aos sábados e domingos,
esfalfar-se jogando bola. O recomendado é que haja certa regularidade
na prática de exercícios. O ideal seria exercitar-se pelo
menos três vezes por semana sem contar os sábados e os
domingos.
Outro ponto importante é o tempo que se dedica a essas atividades.
Trinta minutos são suficientes para condicionar o organismo e
trazer benefícios à saúde. Se a pessoa não
agüenta os trinta minutos seguidos, pode dividi-los em três
períodos de dez e beneficiar-se do mesmo modo. Há quem
diga que não tem tempo. Meia hora por dia, todos arranjam, se
quiserem. Para tanto, basta vencer a inércia inicial. Depois,
a gente se acostuma e não consegue mais imaginar a vida sem atividade
física.
Dica 3--- O PAPEL NOCIVO DA COMPETIÇÃO
A competição é um dos grandes males da vida moderna.
É um mal para a sociedade e para o indivíduo. Cada um
de nós se desgasta demais comparando conquistas e perdas pessoais
com as dos outros. Com isso se perde a medida do que de fato nos traria
satisfação e felicidade. É óbvio que devemos
lutar por nossos sonhos e ideais, mas preocuparmo-nos apenas em aparentar
superioridade é um contra-senso lamentável. Em busca de
status e projeção, muitos se desgastam tanto que adoecem,
fraudam a ética, violam as leis, abandonam a família por
algo que, no fundo, não tem a menor importância.
É indispensável não confundir competição
com competência. Competência é querer fazer bem aquilo
que se faz. Competição é desejar ser mais e melhor
do que os outros. A competição traz consigo a inveja e
a vaidade. Juntos, esses sentimentos podem amargurar a vida das pessoas.
Quando cito a inveja, não me refiro à inveja saudável
que impulsiona o indivíduo e o faz progredir. Se admiro alguém
e isso me estimula a superar minhas dificuldades, essa inveja é
construtiva. Se o sucesso do outro me incomoda e passo a combatê-lo,
em geral subrepticiamente, essa inveja é perniciosa e o grande
prejudicado é o próprio invejoso.
Com a vaidade não é muito diferente. Certo grau de vaidade,
todos devemos ter, até porque faz parte do instinto sexual atrair
o interesse, o bem querer e a aceitação do outro. A encrenca
começa, quando a vida passa a ser pautada pela opinião
alheia. Longe de mim negar o valor da auto-estima. Condeno a vaidade
que escraviza o projeto pessoal de vida em nome do aplauso ou da crítica
dos outros.
Há uma história que ilustra bem o que quero dizer. Um
homem saía de casa aborrecido e passou por um passarinho que
cantava. Xingou o pássaro e seguiu caminhando. Pouco depois,
outro homem cruzou com o mesmo passarinho e lhe disse:
- Que bom, passarinho, ouvir você cantando para alegrar as pessoas!
e foi-se embora contente da vida.
Em seguida, passou um terceiro que sequer prestou atenção
ao canto do pássaro. Pergunta-se, então, qual dos três
foi mais simpático ao passarinho e a resposta é nenhum
deles, porque o animalzinho não estava preocupado com o que os
passantes iam achar. Cantava pelo prazer de cantar ou para atrair alguma
fêmea, quem sabe, para o acasalamento.
Dica 4---OS RELACIONAMENTOS
Estou convencido de que o segredo e a essência da qualidade de
vida, da felicidade e, portanto, da saúde está na relação
afetiva interpessoal que inclui não apenas o par amoroso, a família
e os amigos próximos, mas todos aqueles com quem convivemos de
uma maneira ou outra. Quem consegue gostar de gente e relacionar-se
bem sofrerá menos os efeitos nocivos do estresse.
Tenhamos ou não consciência disso, o objetivo primeiro
de nossas vidas é sermos queridos e aceitos. Para atingi-lo,
porém, é preciso implantar algumas mudanças em
nosso modo de viver.
Por conta das fragilidades interiores ou da insegurança, as pessoas
têm medo de ferir-se nos relacionamentos afetivos e por isso cavam
fossos, erguem muralhas, constroem paredes de vidro que impedem o toque
e a proximidade com os semelhantes. Escondem-se atrás de armaduras
com a falsa idéia de que assim estarão protegidos contra
intrusos indesejáveis. Se conseguirmos , pelo menos em parte,
arriar essas defesas e assumir nova postura diante das pessoas, seremos
mais felizes e menos estressados.
Dica5---AS MUDANÇAS
Se continuarmos presos ao modelo imposto pela sociedade moderna, não
vamos longe. Para mudar essa perspectiva, a humanidade precisa conscientizar-se
de que vale mais a cooperação do que a competição,
a colaboração do que a dominação. Vivam
onde viverem, é preciso que, desguarnecidas de defesas inúteis,
as pessoas aproximem-se umas das outras para estabelecer laços
afetivos que permitam construir um futuro mais promissor para todos.
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