Tratamento conservador

Drauzio – Diante de um
quadro grave de insuficiência renal, quando já apareceram
sintomas como inchaço, dificuldade de concentrar a urina, pressão
arterial elevada, em que vocês se baseiam para indicar um sistema
paralelo de filtração do sangue como a diálise?
Elias David Neto – É difícil determinar
essa fronteira. Quando se detecta que o indivíduo está
perdendo a função renal, mas ainda possui 50% ou 60%,
começa-se pelo tratamento conservador da insuficiência
renal e não pela diálise. São medidas clínicas,
como dietas e remédios, com o intuito de preservar por mais
tempo a função que ainda existe. Além disso,
são prescritas as substâncias necessárias para
ativar a produção de sangue e evitar a anemia e para
o metabolismo do cálcio. A preocupação é
fazer com que os rins trabalhem o menos possível. Quanto à
dieta, é preciso suspender a ingestão de proteínas
e restringir o consumo de sal visando ao controle da pressão
arterial.
Infelizmente, apesar de todas essas medidas, a função
renal continua se deteriorando. Com elas, simplesmente conseguimos
prolongar o tempo sem diálise, pois chega o momento em que
os exames laboratoriais ou o estado do paciente revelam que o tratamento
conservador não está sendo mais suficiente para manter
seu equilíbrio metabólico estável. Por exemplo,
a restrição de proteínas é tão
severa para que a uréia não suba que ele começa
a ficar desnutrido.
A diálise não é um castigo. Ao contrário,
é um tratamento muito eficiente. Às vezes, a pessoa
reage – “Dr. Elias, ainda não estou sentindo nada
e o senhor já quer que eu faça diálise?”.
Um mês depois de iniciado o tratamento, ela se sente tão
melhor que se arrepende de não ter começado bem antes.
Insisto que a diálise não é um castigo. É
um tratamento eficiente que as pessoas fazem espontaneamente. Hoje,
temos perto de quatrocentos pacientes fazendo diálise. Ninguém
vai buscá-los em casa. Vão sozinhos ao centro de diálise
porque sabem que depois daquela sessão vão sentir-se
muito bem. Aqueles que aprenderam a enxergar na diálise uma
parceira e não uma inimiga, tomam partido disso. Muitos me
ligam dizendo: “Olhe, tenho um casamento hoje Posso fazer uma
sessão de diálise para me sentir melhor e aproveitar
bem a festa?