Associação com outras doenças

Drauzio – O transtorno de déficit de atenção
e hiperatividade pode estar associado a outros distúrbios psiquiátricos
como depressão ou transtorno bipolar?
Mario Louzã – Pode. É típico
do TDAH estar associado a outras doenças qualquer que seja
a faixa de idade do paciente. Nas crianças, além da
ansiedade, aparecem os transtornos de conduta que não decorrem
só da distração. São dificuldades de aprendizado
específicas como dislexia (dificuldade para compreender o que
lê), disgrafia (dificuldade para escrever), discalculia (dificuldade
para fazer cálculos).
Nos adolescentes, o problema maior é a tendência ao abuso
de drogas. Não existe uma explicação clara para
o fato. Os estudos mostram, porém, que a partir da adolescência
o uso de drogas nos portadores de TDAH é mais freqüente
se comparados com os indivíduos sadios.
Drauzio – Algum tipo específico
de droga?
Mario Louzã – Não existe especificidade.
A tendência é ao abuso de drogas em geral.
Drauzio – Imaginei que
talvez a maconha fosse a droga de predileção desses
pacientes, porque a cocaína os deixaria mais agitados ainda.
Mario Louzã – Por estranho que pareça,
o consumo de cocaína é comum entre eles. Sob a ação
da droga, ficam mais atentos, mais concentrados. Aí, entra
um aspecto interessante dessa doença. Os estimulantes diminuem
a hiperatividade e a desatenção tanto que o tratamento
é feito com medicação que contenha esse tipo
de substância.