Papel da genética

Drauzio – Há maior
concentração de casos desse transtorno em determinadas
famílias?
Mario Louzã – A genética tem
papel importante na incidência do TDAH, embora sozinha não
seja suficiente para explicar a doença. Quando se rastreia
a família de um paciente, é muito comum encontrar outros
casos de déficit de atenção e hiperatividade.
Às vezes, enquanto fazemos o diagnóstico de uma criança,
os pais percebem que também foram ou são portadores
daqueles sintomas e os prejuízos que podem ter causado em suas
vidas.
Drauzio – Além da genética,
quais são os outros fatores implicados?
Mario Louzã – Os fatores ambientais
são menos conhecidos. Imagina-se serem fatores que atuem de
alguma forma no sistema nervoso central, no cérebro, na fase
de desenvolvimento embrionário ou talvez no início da
vida. No entanto, eles não foram claramente definidos.
Drauzio – É possível estabelecer
algum tipo de alteração morfológica no cérebro
associada ao TDAH?
Mario Louzã – Existem trabalhos que
mostram diferenças em áreas do cérebro nas crianças
com TDAH se comparadas com um grupo de crianças sem a doença.
Entretanto, é importante salientar que o diagnóstico
é eminentemente clínico, baseado nas queixas da pessoa
e em sua história de vida. Exames radiológicos, raios
X, tomografia ou eletroencefalograma (exame pedido com muita freqüência)
não ajudam a esclarecer o diagnóstico, seja em crianças,
seja em adultos.