Morfologia do cérebro

Drauzio –. O cérebro masculino tem entre 10 e 20 milhões de neurônios a mais do que o cérebro feminino. No entanto, como existem 100 bilhões de neurônios, pode-se dizer que essa diferença morfológica é bastante pequena.
Salomão Schwartzman – A mulher tem menos neurônios do que o homem, mas tem mais conexões. Além disso, as estruturas que conectam os dois hemisférios cerebrais são maiores na mulher.
Drauzio – Que implicação isso tem?
Salomão Schwartzman – A implicação é que o cérebro da mulher é menos especializado do que o do homem no seguinte sentido: funções superiores, como a linguagem e a inteligência espacial, têm evidente preferência por um hemisfério ou por outro no cérebro do homem. Por exemplo, no hemisfério esquerdo do cérebro masculino estão localizadas as estruturas responsáveis pela linguagem e, no hemisfério direito, as responsáveis pela inteligência espacial.
Já a mulher utiliza os dois hemisférios para falar. Isso traz algumas vantagens e algumas desvantagens. Se ela ocupar uma região do hemisfério direito com a fala, provavelmente terá sacrificado parte da área reservada para a inteligência espacial.
E mais: sob o ponto de vista médico, mulheres que tiveram acidente vascular cerebral ou traumatismo craniano estão mais sujeitas do que os homens a apresentar um distúrbio de linguagem. No entanto, recuperam-se melhor.
Diante dessas evidências, é inadmissível que estudos e estatísticas não levem em consideração o sexo das pessoas que participam da amostra, porque a história natural das doenças é diferente nos homens e nas mulheres. Predominantemente, os laboratórios utilizam ratos machos para testar medicamentos. Hoje, porém, existe a hipótese de que nem toda a substância que é eficaz para o macho funciona da mesma forma na fêmea.
Drauzio – As meninas nascem com maturação do sistema nervoso central superior ao homem, diferença que se mantém nos primeiros anos de vida. Elas têm também maior habilidade verbal. Tais características não justificariam que fossem matriculadas mais cedo nas escolas?
Salomão Schwartzman – Quando meninos e meninas de seis, sete anos são colocados na mesma série e submetidos ao mesmo tipo de exigência pedagógica, os resultados dos dois sexos são distintos. As notas e o índice de aprovação são sempre superiores nas meninas, não porque sejam necessariamente mais inteligentes, mas porque são privilegiadas em áreas como a da linguagem, que têm peso muito grande na atual proposta de ensino. Por isso, até se fala na possibilidade de criar escolas separadas para meninos e meninas, o que representaria um retrocesso do ponto de vista social, mas o nível de exigência em sala de aula deveria respeitar as características biológicas de cada sexo. Nos países desenvolvidos, essa nova abordagem já começa ser foco de atenção dos educadores e pedagogos.
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