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Dr. José Salomão Schwartzman é neuropediatra. Formado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é professor titular de pós-graduação em Distúrbio do Desenvolvimento na Faculdade Presbiteriana Mackenzie.


Inteligência espacial

Drauzio Existe outro tipo de habilidade mais desenvolvida nos meninos do que nas meninas?
Salomão Schwartzman - Meninos têm desempenho superior ao das meninas nas atividades que envolvem inteligência espacial, como encontrar o caminho que conduz à saída de um labirinto. Nos adultos, a evidência mais representativa dessa diferença é a dificuldade que habitualmente as mulheres têm de decifrar um mapa rodoviário, coisa que os homens fazem com mais tranqüilidade.
Na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde dou aula nos cursos de pós-graduação, uma de minhas alunas do curso de Fisioterapia, que tinha sido bombeiro, fez uma pesquisa interessante. Ela testou homens bombeiros, mulheres bombeiros, universitários e universitárias na tarefa de encontrar um caminho dentro de um labirinto.
Não sei se todos sabem, mas faz parte do treinamento dos bombeiros um exercício que se chama “casinha da fumaça”, com o intuito de prepará-los para alguma eventualidade em que seja necessário encontrar uma rota de escape. Minha aluna construiu o labirinto e registrou o tempo que cada participante levava para cumprir a tarefa. O resultado foi que homens bombeiros eram melhores do que mulheres bombeiros e que estas eram superiores aos homens não bombeiros que eram superiores, por sua vez, às mulheres não bombeiros. Isso demonstrou claramente que o treino interfere, mas não anula a diferença de base que deve ser biológica.
Experiências de laboratório mostraram também que os ratinhos são melhores do que as ratinhas para andar num labirinto e encontrar comida. Outra coisa que se descobriu nos testes com ratos, e que vale para a espécie humana, é que se o labirinto for coberto com um pano, as ratinhas não encontram mais o alimento porque não usam as pistas cartográficas. Usam objetos de referência. Os homens, quando explicam como chegar a um determinado lugar, à Avenida Paulista de São Paulo, por exemplo, dizem: “Você sai do Largo do Largo São Francisco, pega a rua Cristóvão Colombo que muda de nome e vira Brigadeiro Luís Antônio e sobe essa avenida até o cruzamento com a Paulista”. A mulher sistematicamente vai dizer: “Você sai da Faculdade de Direito, pega a rua que tem um prédio cinza na esquina, anda até o fim, atravessa na faixa em frente daquela loja e vai subindo a Brigadeiro. A avenida Paulista fica depois daquela igreja...” Essas características parecem biológicas e não culturais.