Atividade intelectual e demência

Drauzio – Existe relação
entre atividade intelectual e demência?
Ricardo Nitrini – Estudos mostram que indivíduos
que mantêm a atividade intelectual depois que se aposentam apresentam
menor risco de desenvolver essas doenças.
Existe certa dificuldade técnica para fazer essa análise.
Quando se diz que uma pessoa a partir dos 65 anos começou a
desinteressar-se de tudo, não lia mais nem os jornais e que
aos 72 manifestou um quadro de demência, a pergunta é
se aos 65 já não teria um comprometimento demencial
leve que provocou o desinteresse.
Não temos como saber o que veio primeiro, mas não há
dúvida de que a atividade intelectual diminui o risco de demência.
O indivíduo bem preparado intelectualmente conta com mais maneiras
de resolver um problema. Por exemplo, se não lembra uma palavra
durante a conversa, pode valer-se de outra, porque seu repertório
é amplo. Já aquele que aprendeu pouco, se esquece uma
palavra, não conhece outra para substituí-la e deixa
de comunicar-se.
Portanto, indivíduos com escolaridade maior, que leram mais
ao longo da vida e não só quando ficaram idosos, são
de menor risco. Mesmo quando a doença já está
instalada, pode demorar anos para ficar evidente nos mais preparados.
No Brasil, o preocupante é o número de analfabetos e
analfabetos funcionais, especialmente entre os idosos, que não
tiveram a menor chance de aprendizagem sistematizada. Quando se deparam
com um problema, como só conhecem uma estratégia de
solução, não conseguem contorná-lo. Esses
indivíduos correm risco mais sério de demência.
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