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Asma e bronquite
Efeitos da poluição para o asmático
Medicamentos à base de cortisona
O uso das “bombinhas”
Influência de fatores psicológicos
Recomendações para os asmáticos


Atenção ao diagnóstico!




Daniel Deheinzelin é professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e médico do Hospital do Câncer e do Hospital Sírio-Libanês.

Asma e bronquite

Drauzio - Asma e bronquite, em certos aspectos, têm sintomas semelhantes. Qual a diferença básica entre bronquite e asma?
Deheinzelin - Do ponto de vista clínico, existe uma certa sobreposição de sintomas. A característica básica da asma é ser uma doença que se manifesta em forma de crises provocadas por broncoconstrição, isto é, um fechamento das vias aéreas por inflamação e contração da musculatura. Se o mal-estar for passageiro e, vencida a crise, a pessoa voltar absolutamente ao normal, é asma. Já a bronquite se distingue pela ocorrência de tosse produtiva crônica, com catarro, por mais de três meses num ano, durante dois anos consecutivos. A confusão existe porque bronquite crônica também pode ocasionar broncoconstrição que dificulta a respiração e produz sintomas semelhantes aos da asma como falta de ar e chiado. A diferença fundamental, porém, é que a crise asmática é reversível. Às vezes passa espontaneamente, embora sempre demande cuidados. Há dois tipos de tratamento: o indicado para a manifestação aguda, o ataque de asma, e o tratamento de manutenção.

Drauzio - A asma é hereditária? Só a hereditariedade pode explicar a incidência da doença?
Deheinzelin - Provavelmente a asma seja uma doença hereditária. Há estudos recentes apontando para os genes da asma, apesar de não se conhecer, ainda, sua capacidade de penetração. Parece certo não se tratar de um único gene e possuí-lo não significa que se ficará doente. No entanto, se um dos pais for asmático, a probabilidade de um filho com asma crescerá. Se os dois forem asmáticos, o risco aumenta consideravelmente.

Herança genética não é a única responsável pelo aparecimento da doença. Continuada exposição a certos fatores ambientais pode desencadear a crise. É o caso, por exemplo, das poeiras orgânicas, dos resíduos de madeira, do feno e outras forrageiras usadas para alimentar gado. Trata-se, porém, de um tipo diferente de asma cuja crise é deflagrada por um mecanismo semelhante ao das alergias de pele. Portanto, é válido repetir que existe distinção entre asma alérgica, ou extrínseca, e asma associada a características individuais. Exemplificando: há pessoas que entram em crise quando fazem exercícios físicos e a respiração se acelera. Ora, ninguém é alérgico a exercícios, logo elas demonstram maior predisposição para contrair a doença.

São hiper-reativas. E o que é hiper-reatividade? Todos nós, dependendo do estímulo, vamos apresentar fechamento dos brônquios, porque esse é um mecanismo de defesa natural que impede a entrada de substâncias tóxicas nos pulmões. No asmático, essa reação é exagerada. Qualquer estímulo, que os outros nem notariam, neles detona broncoespasmo e reação inflamatória. A hiper-reatividade pode ser específica ou não, e nisso se baseará o diagnóstico para classificar o tipo de asma.