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Daniel Deheinzelin é professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e médico do Hospital do Câncer e do Hospital Sírio-Libanês.

Programa de ajuda ao fumante

Drauzio - No Hospital ACCamargo,mais conhecido por Hospital do Câncer, em São Paulo, há um ambulatório para o tratamento dos dependentes de nicotina. Como funciona?
Deheinzelin - Esse ambulatório foi criado porque não dá para pensar em tratamento do câncer, sem investir na profilaxia e, como todos estão cansados de saber, o cigarro é uma das principais causas de câncer. Para ter-se uma idéia, a cada três casos de câncer, um está ligado ao consumo de tabaco.

Para participar desse programa promovido pelo hospital, é necessário preencher um requisito básico: o fumante deve ter superado a fase que chamamos de contemplação, representada pela frase, "preciso parar de fumar qualquer dia", e ingressado na fase de ação, "o que preciso fazer para deixar de fumar definitivamente?" (Saiba mais sobre as fases do processo de abandono no artigo). Só assim ele é admitido e passa por uma consulta clínica a fim de detectar os problemas de saúde relacionados com o cigarro (hipertensão, insuficiência coronariana, doença pulmonar obstrutiva) que demandem tratamento imediato. Simultaneamente, realiza-se uma avaliação psiquiátrica, pois uma proporção significativa de distúrbios psiquiátricos está associada ao tabagismo e, se não forem tratados, dificultarão o trabalho. Não se trata de psicoterapia. São tratamentos de curta duração, à base de medicamentos, para pessoas extremamente ansiosas ou deprimidas.

Feito isso, a pessoa está pronta para ingressar no programa propriamente dito. Sabe-se que o consumo de tabaco, por questões sociais, está ligado a dois fatores importantes: dependência de nicotina e habito de acender um cigarro. Às vezes, a pessoa age compulsivamente. Isso ocorre não só pela carência imperiosa de nicotina, mas pelo mecanismo automático de pegar o cigarro e acendê-lo. A pessoa toma café e acende o cigarro. Vai falar ao telefone, acende um cigarro. Entra no carro, senta-se diante do computador ou da máquina de escrever, liga a televisão, acende o cigarro. Esses gestos automáticos precisam ser interrompidos. Por isso, o tratamento é comportamental, visando a mudar os hábitos do fumante. Paralelamente, prescreve-se o uso de emplastros transdérmicos (adesivos), que liberam nicotina em pequenas doses através da pele, preservando os pulmões dos efeitos da fumaça.

Drauzio - Qual a duração do tratamento e o que deve fazer quem se interessa em participar desse programa?
Deheinzelin - Durante 5 semanas, a pessoa deve ir ao hospital para discutir o problema do automatismo e encontrar um caminho que lhe permita desenvolver novos comportamentos. No mundo inteiro, esse tipo de programa tem-se mostrado eficiente para ajudar os fumantes a libertarem-se dos males que o cigarro traz.

As pessoas interessadas em participar desse programa devem entrar em contato com o Departamento de Tórax o Hospital ACCamargo, telefone 3272-5000.