BUSCA

 

Ação da nicotina no aparelho respiratório
Aparecimento dos sintomas
Comprometimento da função pulmonar
O apoio para quem tenta parar
Luta contra a dependência
Programa de ajuda ao fumante


A propaganda do cigarro
Droga pesada
Depoimentos
Fumante passivo
Pequena história do cigarro
Teste de dependência de nicotina




Daniel Deheinzelin é professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e médico do Hospital do Câncer e do Hospital Sírio-Libanês.

Luta contra a dependência

Drauzio - Vamos imaginar pacientes com enfisema pulmonar em grau avançado, a ponto de mal conseguirem movimentar- se, e com muita falta de ar. De acordo com sua experiência, na média, como eles se comportam quando são informados da necessidade premente de parar de fumar?
Deheinzelin - É muito difícil estabelecer uma média, porque as reações variam muito. Alguns entendem e se dispõem a lutar contra o cigarro. Nesse momento, porém, estão debilitados e ansiosos, o que torna tudo mais complicado. Outros dizem: "Já entendi. Se estou mesmo perdido, por que tenho de me impor o sacrifício de não fumar?", e continuam fumando.

No entanto, algumas situações estão associadas ao sucesso na iniciativa de parar de fumar. Mulheres fumantes, geralmente, conseguem parar durante a gravidez. Talvez, o instinto materno fale mais alto. Porém, depois do nascimento da criança, impelidas por condições ambientais de estresse ou pelas dificuldades inerentes ao pós-parto, elas voltam a fumar.

Outro grupo que costuma vencer a dependência de nicotina é constituído pelas pessoas com doença coronariana. Ao se conscientizarem de que os próximos cigarros podem provocar um acidente vascular fatal, muitas deixam de fumar.

Drauzio - Não são todas com doença coronariana que deixam de fumar?
Deheinzelin - Não, das pessoas que participam de programas para parar de fumar, mais ou menos 45% alcançam seu objetivo. Os outros, mesmo diante da ameaça de morte, continuam fumando. Como se vê, o impulso é tão forte, que contraria o mais primário dos instintos, o da sobrevivência.

Drauzio - É uma dependência brutal a ponto de vencer a preocupação com a própria sobrevivência, não é verdade?
Deheinzelin - Ninguém mais discute que o cigarro seja um fator de risco para a doença coronariana. Há exames que comprovam isso claramente. O indivíduo dá uma tragada, o médico injeta o contraste e observa as reações na tela à sua frente. O cigarro é um poderoso vasoconstritor. Não são apenas as coronárias que se fecham. Contraem-se todas as artérias do corpo, entre elas as artérias cerebrais e as que vão para o pênis, por exemplo. Por isso, além de infartos e derrames, o tabaco é responsável pelo comprometimento da potência sexual.