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Dr. Mauro Sancovski é médico, especialista em ginecologia e obstetrícia, e professor da Faculdade de Medicina do ABC de São Paulo.

Importância da orientação materna


Drauzio
Existe uma regra que estabeleça quando deve ser feita a primeira consulta ao ginecologista?
Mauro – Existe até um trocadilho a esse respeito: não existe regra, a regra é a menstruação. Na realidade, é um verdadeiro quebra-cabeça descobrir a época certa da primeira consulta ao ginecologista. Isso depende muito da menina ou adolescente.
O primeiro passo é orientar as mulheres para que orientem bem suas filhas. Atualmente, há aulas de orientação sexual nas escolas, mas como se trata de uma atividade curricular, nem sempre as meninas prestam a devida atenção às explicações e nem sempre é transmitido o que de fato importa. Algumas dominam a teoria, mas não têm a mínima noção de como ela pode ser aplicada em seu corpo no dia-a-dia. Conhecem o mecanismo menstrual, mas não entendem como funciona a própria menstruação. Por isso, acho fundamental a mãe estar preparada para transmitir à filha a informação necessária a fim de que não se assuste com a menstruação. Ela precisa também tomar cuidado para não lhe transferir todos os seus temores e sofrimentos. Muitas mulheres continuam sentindo cólicas e tensão pré-menstrual, embora atualmente haja recursos terapêuticos para evitá-las.
A partir do momento em que a menina menstruou, se sentir necessidade, deve ser levada ao ginecologista. Nunca deve ser levada à força, contra vontade. A maneira como a mãe encara a imagem do médico ao longo da vida, é de fundamental importância. Se cresceu ouvindo a mãe reclamar das idas ao consultório, não verá com bons olhos a primeira consulta. Agora, se a mãe considera o ginecologista uma pessoa amiga, que vai ajudá-la a conviver melhor com seus problemas ou a resolvê-los satisfatoriamente, a menina aceitará a idéia com tranqüilidade. Uma sugestão é a garota ir com a mãe a uma das consultas não como cliente, mas como simples acompanhante.

DrauzioSua experiência diz que as meninas procuram o ginecologista quando estão pensando em iniciar a vida sexual?
Mauro – O ideal seria que a primeira consulta fosse feita antes do início da vida sexual. Todavia, a experiência me diz que as meninas procuram o ginecologista depois disso. A maioria o faz por sugestão da mãe que, ao tomar conhecimento do fato, encaminha a filha ao médico não para fazer exames, mas para receber orientação em termos de prevenção de doenças e de gravidez indesejada. Nessa ocasião, é importante tranqüilizar a menina a respeito do exame ginecológico porque o maior temor é que ele seja traumático.
Na verdade, a criança bem orientada pela mãe, que entrou tranqüila no período menstrual, não precisa necessariamente ir ao ginecologista. No caso, porém, de a mãe sentir-se insegura para desempenhar esse papel, deve consultar a filha sobre a possibilidade de receber orientação mais visual e técnica de um médico ginecologista. Nesse primeiro contato, não há necessidade de exames nem da mesa ginecológica. O mais importante é o médico cativar a adolescente e convencê-la de que tem um aliado com o qual poderá contar para qualquer emergência, e que ela pode procurá-lo sem depender da mãe para trazê-la ou não.