Cólicas Menstruais
TPM e dismenorréia
Sintomas da TPM
Agravantes e atenuantes
Tratamento
Perguntas enviadas por e-mail






BUSCA

Dra. Mara Solange Carvalho Diegoli é médica do Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas e coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

TPM e dismenorréia

Drauzio Como distinguir a TPM da cólica menstrual?
Mara Dioegoli – A primeira distinção é que a tensão pré-menstrual ocorre antes da menstruação e a dismenorréia, ou cólica menstrual, inclui uma série de sintomas associados à menstruação propriamente dita. O principal é a dor em cólica, às vezes, tão forte que a mulher vomita e chega a desmaiar. Os mais velhos acreditavam que isso acontecia por rejeição à feminilidade e encaravam a cólica como mera manifestação psicológica. Várias pesquisas demonstraram, porém, que a cólica menstrual nada tem de psicológico, pois é provocada pela prostaglandina, uma substância existente em várias partes do corpo, inclusive dentro do útero.

Drauzio Anatomicamente, como se pode explicar a cólica menstrual primária, isto é, a que não é provocada por alterações patológicas no aparelho reprodutivo?
Mara Diegoli – O útero é um órgão de 7cm com o formato de uma pêra ( imagem 1), constituído por três camadas: externa, média e interna. A camada interna é a responsável pelo aparecimento das cólicas menstruais. Todos os meses ela cresce, fica bem grande à espera do embrião. Se ele não vem, a camada interna descama em forma de sangramento, a menstruação e, enquanto descama, libera prostaglandina que faz o útero contrair para eliminar o sangue. Essa compressão comprime os nervos e os vasos que passam pelo músculo uterino. Por isso, a mulher sente dor.

DrauzioPor que a intensidade da dor varia de uma mulher para outra?
Mara Diegoli – Se a tensão pré-menstrual ocorre nas mulheres com mais idade, a cólica menstrual acomete mais as adolescentes, porque seu útero ainda é pequeno e o orifício de saída mais fechado. Ora, agindo em grande quantidade e não conseguindo escapar do local, a prostaglandina faz com que o útero se contraia e contraia com mais intensidade e isso provoca dor forte. À medida que a adolescente vai ficando mais velha, seu útero cresce e a prostaglandina liberada tem espaço para espalhar-se. Além disso, especialmente quando a mulher já teve filhos, o colo uterino mais aberto facilita a saída do sangue e da prostaglandina. Por isso, os antigos diziam: quando casar, passa. E passava mesmo, porque a mulher engravidava, o útero aumentava de tamanho, e a prostanglandina saía com mais facilidade pelo buraco por onde nasceu o bebê.