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Cocaína e Crack
Ação da cocaína no cérebro
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Duração do efeito
Destruição de neurônios
Paranóias
Características da crise de abstinência





Dr. Ronaldo Laranjeira é médico psiquiatra, coordenador do programa de pesquisas em álcool e outras drogas da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Destruição de neurônios

DrauzioA cocaína destrói os neurônios?
Ronaldo – Com certeza. Fotografias cerebrais revelam que a diminuição do oxigênio especialmente nas regiões frontais provocada pelo uso crônico da cocaína produz alterações que não se recuperam mesmo depois de vários anos de abstinência.

Drauzio Existe um limite de uso a partir do qual o usuário não recupera mais a função cerebral perdida?
Ronaldo – Antes da década de 1980, a cocaína praticamente não existia no Brasil. Portanto, até alguns anos atrás, era difícil encontrar pessoas que estivessem usando essa droga há vinte anos ou mais. Como isso é possível agora, pôde-se constatar que elas têm lesões cerebrais importantes. Memória, concentração, capacidade de elaborar pensamentos complexos, de ponderar são funções seriamente prejudicadas.
Uma forma de testar o cérebro de um usuário de cocaína é a simulação de um jogo, o gambling test. Estudos mostram que ele é muito mais impulsivo, busca o prazer imediato, não se articula para retardar as conseqüências de seu comportamento, deixando claro os danos que a droga causa nesse órgão.