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Vias de administração da cocaína Drauzio – Vamos falar sobre as três vias de administração da cocaína: a injetável na veia, a aspirada e a fumada na forma de crack. Ronaldo – Na primeira metade da década de 1980, era grande o número de usuários de cocaína por via endovenosa. A maioria acabou morrendo infectada pelo vírus HIV. Hoje, no Brasil, esse número é muito baixo. Drauzio – Atualmente, nas grandes prisões de São Paulo, esse padrão de uso desapareceu. Ronaldo – Também é uma exceção encontrá-lo nas pessoas que procuram tratamento nos consultórios ou clínicas. O mais comum é a droga ser aspirada. O efeito é mais lento, mas com seu uso freqüente faz com que a absorção da droga seja prejudicada pela vasoconstrição nasal, uma vez que os vasos do nariz acabam sendo lesados. Fumada na forma de crack é a via mais rápida, eficaz e poderosa de absorção, já que a superfície pulmonar é muito grande, mais ou menos do tamanho de um quadra de tênis, e a pessoa consegue inalar o quanto de fumaça quiser sem a limitação da área pequena da mucosa nasal. Por isso, a capacidade de o crack produzir dependência é muito maior até do que a via endovenosa e a tendência dos usuários de crack é deteriorar-se rapidamente porque acabam não fazendo mais nada na vida além de fumar a droga. Às vezes, as pessoas passam dois ou três dias fumando e só param quando não agüentam mais fisicamente. Aí, comem ou dormem, mas logo depois entram no círculo de novo. |
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