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Cocaína e Crack
Ação da cocaína no cérebro
Vias de administração da cocaína
Duração do efeito
Destruição de neurônios
Paranóias
Características da crise de abstinência





Dr. Ronaldo Laranjeira é médico psiquiatra, coordenador do programa de pesquisas em álcool e outras drogas da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Vias de administração da cocaína

Drauzio Vamos falar sobre as três vias de administração da cocaína: a injetável na veia, a aspirada e a fumada na forma de crack.
Ronaldo – Na primeira metade da década de 1980, era grande o número de usuários de cocaína por via endovenosa. A maioria acabou morrendo infectada pelo vírus HIV. Hoje, no Brasil, esse número é muito baixo.

DrauzioAtualmente, nas grandes prisões de São Paulo, esse padrão de uso desapareceu.
Ronaldo – Também é uma exceção encontrá-lo nas pessoas que procuram tratamento nos consultórios ou clínicas. O mais comum é a droga ser aspirada. O efeito é mais lento, mas com seu uso freqüente faz com que a absorção da droga seja prejudicada pela vasoconstrição nasal, uma vez que os vasos do nariz acabam sendo lesados.
Fumada na forma de crack é a via mais rápida, eficaz e poderosa de absorção, já que a superfície pulmonar é muito grande, mais ou menos do tamanho de um quadra de tênis, e a pessoa consegue inalar o quanto de fumaça quiser sem a limitação da área pequena da mucosa nasal. Por isso, a capacidade de o crack produzir dependência é muito maior até do que a via endovenosa e a tendência dos usuários de crack é deteriorar-se rapidamente porque acabam não fazendo mais nada na vida além de fumar a droga. Às vezes, as pessoas passam dois ou três dias fumando e só param quando não agüentam mais fisicamente. Aí, comem ou dormem, mas logo depois entram no círculo de novo.