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Dra. Angelita Habr Gama é médica, especialista em coloproctologia e gastrenterologia, professora da Universidade de São Paulo e trabalha nos hospitais Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa.

Obstipação nas mulheres


Drauzio - Sua experiência mostra que as mulheres são mais obstipadas que os homens?
Angelita Gama - Tenho certeza disso. São mais obstipadas porque se alimentam pior. Gostam de docinhos, ricos em hidrato de carbono e, como têm a preocupação de não engordar, ingerem uma quantidade menor de alimentos. E também não bebem água. Além disso, são exigentes e não usam qualquer toalete. Às vezes, têm vontade de ir ao banheiro, mas não vão. O mecanismo reflexo da evacuação é muito interessante. Se elas deixam escapar aquele momento, o reflexo só reaparece no dia seguinte, quando as fezes já estão endurecidas porque houve absorção da água que continham. Fezes duras, ou fecalitos, são difíceis de eliminar e vêm a dor, a fissura, as hemorróidas. Progressivamente, para se defenderem, começam a tomar laxantes e instala-se um círculo vicioso. O intestino se acostuma, perde o reflexo, e elas são obrigadas a tomar quantidades crescentes desses remédios. Esse é um problema que se vê todos os dias no Hospital Universitário, nos hospitais públicos e no consultório.

Drauzio - Existe um número ideal de evacuações diárias?
Angelita Gama - É variável. O tamanho do intestino difere de uma pessoa para outra. As que têm intestino mais longo necessitam de quantidade maior de fibras e evacuam menos. No entanto, não é o número de evacuações diárias que importa. O que importa é ir ao banheiro uma vez ou duas por dia, ou dia sim, dia não, mas sem fazer força para evacuar. A consistência do bolo fecal deve proporcionar fácil eliminação. Não pode ser um fecalito duro como pedra, nem diarréia promovida por excesso de laxantes.

Drauzio - Vida sedentária interfere nos hábitos intestinais?
Angelita Gama - Interfere, mas quero mencionar outro fator que favorece a constipação intestinal nas mulheres. A gravidez deixa o abdômen mais flácido e o períneo, ou seja, a musculatura entre o reto e vagina, também mais flácido. Para que as fezes cheguem ao reto é necessário fazer um movimento de contração abdominal e perineal e é obvio que musculatura flácida torna mais difícil a eliminação do bolo fecal.