Células-tronco no cordão umbilical

Drauzio – Estou
insistindo nisso, porque constitui um ponto crucial do debate que
se estabeleceu sobre as células-tronco, essas totipotentes
que podem diferenciar-se em qualquer tecido e têm de ser buscadas
nas primeiras fases de desenvolvimento do embrião. Se pudermos
obter as células pluripotentes que persistem na vida adulta,
parte do problema estaria resolvida.
Mayana Zatz – Esse é um ponto crucial,
especialmente se considerarmos que o cordão umbilical, fonte
de células-tronco melhor do que a medula espinhal, vai para
o lixo quando o bebê nasce. Por isso, estamos brigando para
que se façam bancos públicos de cordões umbilicais,
apesar de não sabermos se as células-tronco neles existentes
têm mesmo a capacidade de diferenciar-se em outros tecidos e,
caso tenham, em que tecidos poderão diferenciar-se.
No entanto, como já não se discute mais que o cordão
umbilical é a melhor fonte células para tratamento da
leucemia e de inúmeras outras doenças hematológicas
e como se estima em praticamente 100% a chance de encontrar uma amostra
compatível num grupo de dez a doze mil amostras de cordões,
a criação desse banco estaria plenamente justificada.
Drauzio – Como funcionariam esses bancos
de cordão umbilical?
Mayana Zatz – Quando uma pessoa tem leucemia,
é preciso procurar um doador compatível e se tenta achá-lo
na família do doente, por exemplo, numa irmã ou num
primo que possa doar a medula óssea. Às vezes, o paciente
tem a sorte de conseguir; às vezes, não e entra numa
fila à espera desse doador compatível, um adulto que
esteja disposto a doar sua medula.
Imagine, porém, que existam bancos de cordão umbilical
com células-tronco boas para o tratamento da leucemia. Se houver
12 mil, 15 mil amostras, certamente será encontrada uma compatível,
o que tornará desnecessária a procura de um parente
para doação. O processo é semelhante ao dos bancos
de sangue, com a diferença de que o sangue tem menos combinações
possíveis.