Caracterização das células-tronco

Drauzio – O que
são células-tronco?
Mayana Zatz – São células que
têm a capacidade de diferenciar-se em diferentes tecidos humanos.
Existem as células-tronco totipotentes ou embrionárias,
que conseguem dar origem a qualquer um dos 216 tecidos que formam
o corpo humano; as pluripotentes, que conseguem diferenciar-se na
maioria dos tecidos humanos, e as células-tronco multipotentes
que conseguem diferenciar-se em alguns tecidos apenas.
Drauzio – No momento da fecundação,
quando o espermatozóide fecunda o óvulo, começam
as primeiras divisões celulares e surgem as células
totipotentes que vão obrigatoriamente dar origem a todos os
tecidos do corpo. Essas células permanecem no indivíduo
pelo resto da vida?
Mayana Zatz – As totipotentes não. Elas
existem até quando o embrião atinge 32 a 64 células.
A partir daí, forma-se o blastocisto cuja capa externa vai
formar as membranas embrionárias, a placenta. Já as
células internas do blastocisto, que são chamadas de
totipotentes, vão diferenciar-se em todos os tecidos humanos.
Drauzio – Quer dizer que para obter uma
célula totipotente é preciso pegar um óvulo fecundado
e colhê-la nas primeiras divisões?
Mayana Zatz – Precisam colhê-la até
a divisão em 64 células. Indicam as pesquisas ainda
em andamento que até 14 dias depois da fecundação,
as células embrionárias seriam capazes de diferenciar-se
em quase todos os tecidos humanos. Depois disso, começam a
dar origem a determinados tecidos.
Os adultos conservam células - por exemplo, na medula óssea
- que têm a capacidade de diferenciar-se em vários tecidos,
mas não em todos. Elas também existem no cordão
umbilical, mas já são células-tronco adultas
que não conservam a capacidade das células embrionárias.
Drauzio – Quando se trabalha com reposição
de tecidos, é possível pegar células pluripotentes
da medula óssea, ou seja, do tutano do osso, aquele tecido
gorduroso que vai dar origem aos elementos do sangue, e obrigá-las
a transformar-se, por exemplo, em neurônios no cérebro?
Mayana Zatz – Essa é a grande questão.
Alguns anos atrás, quando se começou a trabalhar com
células-tronco, os estudos diziam que sim, mas agora isso está
sendo questionado. Um exemplo é o grupo de pesquisadores do
Rio de Janeiro que fez um trabalho com células-tronco em pessoas
cardíacas. Hoje se discute se realmente essas células
se diferenciaram em células cardíacas ou se simplesmente
melhoraram a irrigação do coração.
No momento, a única coisa a respeito da qual se tem certeza
é que as células-tronco de origem embrionária
conseguem diferenciar-se em todos os tecidos do organismo.