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Dr.Sergio Almeida de Oliveira é um dos maiores cirurgiões brasileiros na área da Cardiologia. Professor da Faculdade de Medicina da USP, trabalha no INCOR desde sua fundação e treinou um sem-número de especialistas espalhados não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina.


Controle preventivo

DrauzioA partir de que idade você aconselha que comecem os controles na tentativa de evitar o aparecimento de doenças cardiovasculares?
Sergio Oliveira – Acho que devem começar na juventude. O problema da alimentação pode ter origem nos hábitos adquiridos em casa. Existem pessoas que gostam de comidas que para mim parecem extravagantes. Por que gostam? Porque comem desde crianças. É preciso ensiná-las a escolher alimentos saudáveis e a não exagerar nas porções. Só pregação não resolve. A família toda deve entrar no esquema e dar exemplo.

DrauzioAcho que aí existem dois problemas complicados. Como fazer o filho adotar uma dieta saudável com a TV bombardeando sua cabeça com propaganda de comidas de alto valor calórico? Como vencer a barreira representada por mães e avós que gostam de ver as crianças limpando o prato?
Sergio Oliveira – No passado, hiper-alimentação era sinônimo de saúde. As mães preparavam gemadas e outras comidas fortes para repor as energias do filho que voltava cansado da escola. Na verdade, a grande preocupação era com a tuberculose. Todos repetiam que uma pessoa enfraquecida fisicamente estava mais predisposta a contrair essa infecção e defendiam a importância de super-alimentar a criança.
De alguma forma, esse conceito ainda persiste. Por isso, estamos diante de um trabalho difícil que deve começar com o pediatra, depois passar para os clínicos, para o cirurgião e, finalmente, para a sociedade que também é responsável pela divulgação de hábitos alimentares nem sempre agradáveis no início, mas importantes para a saúde.
Felizmente, tenho a impressão de que algumas mudanças já estão acontecendo. Não sei se é uma vitória, mas em abril de 2004 foi divulgado que o consumo de cigarros caiu para 20% na população brasileira. Para mim foi uma surpresa. Parece que as campanhas contra o tabagismo estão começando a surtir efeito.

DrauzioIsso é importante porque o cigarro tem impacto enorme sobre as doenças cardiovasculares.
Sergio Oliveira - Sobre as doenças cardiovasculares e sobre outras como o câncer de pulmão, de bexiga, de língua e sobre o enfisema, uma doença de evolução longa, mas que tolhe muito a qualidade de vida das pessoas. Depois de certa idade, o enfisematoso fica extremamente limitado, perde a capacidade para atividades físicas que exijam algum esforço e qualquer resfriado pode virar pneumonia. O enfisema não mata depressa. Durante 10, 15, 20 anos, o paciente sobrevive, muitas vezes, com péssima qualidade de vida.