Controle preventivo

Drauzio – A partir
de que idade você aconselha que comecem os controles na tentativa
de evitar o aparecimento de doenças cardiovasculares?
Sergio Oliveira – Acho que devem começar
na juventude. O problema da alimentação pode ter origem
nos hábitos adquiridos em casa. Existem pessoas que gostam
de comidas que para mim parecem extravagantes. Por que gostam? Porque
comem desde crianças. É preciso ensiná-las a
escolher alimentos saudáveis e a não exagerar nas porções.
Só pregação não resolve. A família
toda deve entrar no esquema e dar exemplo.
Drauzio – Acho que aí existem dois
problemas complicados. Como fazer o filho adotar uma dieta saudável
com a TV bombardeando sua cabeça com propaganda de comidas
de alto valor calórico? Como vencer a barreira representada
por mães e avós que gostam de ver as crianças
limpando o prato?
Sergio Oliveira – No passado, hiper-alimentação
era sinônimo de saúde. As mães preparavam gemadas
e outras comidas fortes para repor as energias do filho que voltava
cansado da escola. Na verdade, a grande preocupação
era com a tuberculose. Todos repetiam que uma pessoa enfraquecida
fisicamente estava mais predisposta a contrair essa infecção
e defendiam a importância de super-alimentar a criança.
De alguma forma, esse conceito ainda persiste. Por isso, estamos diante
de um trabalho difícil que deve começar com o pediatra,
depois passar para os clínicos, para o cirurgião e,
finalmente, para a sociedade que também é responsável
pela divulgação de hábitos alimentares nem sempre
agradáveis no início, mas importantes para a saúde.
Felizmente, tenho a impressão de que algumas mudanças
já estão acontecendo. Não sei se é uma
vitória, mas em abril de 2004 foi divulgado que o consumo de
cigarros caiu para 20% na população brasileira. Para
mim foi uma surpresa. Parece que as campanhas contra o tabagismo estão
começando a surtir efeito.
Drauzio – Isso é importante porque
o cigarro tem impacto enorme sobre as doenças cardiovasculares.
Sergio Oliveira - Sobre as doenças cardiovasculares
e sobre outras como o câncer de pulmão, de bexiga, de
língua e sobre o enfisema, uma doença de evolução
longa, mas que tolhe muito a qualidade de vida das pessoas. Depois
de certa idade, o enfisematoso fica extremamente limitado, perde a
capacidade para atividades físicas que exijam algum esforço
e qualquer resfriado pode virar pneumonia. O enfisema não mata
depressa. Durante 10, 15, 20 anos, o paciente sobrevive, muitas vezes,
com péssima qualidade de vida.