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Dr.Sergio Almeida de Oliveira é um dos maiores cirurgiões brasileiros na área da Cardiologia. Professor da Faculdade de Medicina da USP, trabalha no INCOR desde sua fundação e treinou um sem-número de especialistas espalhados não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina.


Comportamento pós-infarto

DrauzioComo se comportam os pacientes que já tiveram um infarto?
Sergio Oliveira - É costume dizer que, depois de um susto, as pessoas se tornam mais espertas, mas nem sempre isso acontece. Pacientes operados do coração, obesos, hipertensos, fumantes, ouvem a preleção que fazemos sobre a conveniência de trocar esses hábitos por outros mais saudáveis e fazem sempre a mesma pergunta: Posso levar vida normal? Podem levar vida normal, o que não podem é fazer extravagâncias. Na verdade, não era normal a vida que levavam antes. Alguns pacientes são de fato disciplinados e seguem as recomendações, mas a maioria volta aos hábitos antigos.

Drauzio Quais são os maus hábitos que os pacientes que tiveram um infarto ou foram operados do coração retomam?
Sergio Oliveira – Cigarro é um deles. Muitos voltam a fumar. Em segundo lugar, retomam a alimentação inadequada e, em terceiro, abandonam o controle médico periódico a que deveriam submeter-se, pois os níveis de colesterol e suas frações, da pressão arterial, da taxa de açúcar, fatores de risco para a doença coronariana, podem ser corrigidos se tratados na fase inicial. No entanto, como depois da cirurgia os pacientes em geral se sentem bem e desconhecem as características de continuidade da doença coronária, pensam que estão curados e suspendem os retornos ao médico.
A aterosclerose não é como a pneumonia, que se cura com antibióticos. Podemos retardar sua evolução e até certo grau provocar a involução nos pacientes que corrigem os hábitos errados. Além disso, contamos com drogas que reduzem as diferentes frações do colesterol e triglicérides, de maneira muito eficiente e com poucos efeitos colaterais.
É uma questão de disciplina do médico e do paciente. Não podemos culpar só o paciente. Às vezes, o médico é também um pouco relaxado no controle, em virtude do tempo gasto para explicar a necessidade das revisões periódicas e dos controles. Por outro lado, o doente talvez fuja com medo de novas terapias intervencionistas o que, na verdade, todos queremos evitar.