Comportamento pós-infarto

Drauzio – Como
se comportam os pacientes que já tiveram um infarto?
Sergio Oliveira - É costume dizer que, depois
de um susto, as pessoas se tornam mais espertas, mas nem sempre isso
acontece. Pacientes operados do coração, obesos, hipertensos,
fumantes, ouvem a preleção que fazemos sobre a conveniência
de trocar esses hábitos por outros mais saudáveis e
fazem sempre a mesma pergunta: Posso levar vida normal? Podem levar
vida normal, o que não podem é fazer extravagâncias.
Na verdade, não era normal a vida que levavam antes. Alguns
pacientes são de fato disciplinados e seguem as recomendações,
mas a maioria volta aos hábitos antigos.
Drauzio – Quais são os maus hábitos
que os pacientes que tiveram um infarto ou foram operados do coração
retomam?
Sergio Oliveira – Cigarro é um deles.
Muitos voltam a fumar. Em segundo lugar, retomam a alimentação
inadequada e, em terceiro, abandonam o controle médico periódico
a que deveriam submeter-se, pois os níveis de colesterol e
suas frações, da pressão arterial, da taxa de
açúcar, fatores de risco para a doença coronariana,
podem ser corrigidos se tratados na fase inicial. No entanto, como
depois da cirurgia os pacientes em geral se sentem bem e desconhecem
as características de continuidade da doença coronária,
pensam que estão curados e suspendem os retornos ao médico.
A aterosclerose não é como a pneumonia, que se cura
com antibióticos. Podemos retardar sua evolução
e até certo grau provocar a involução nos pacientes
que corrigem os hábitos errados. Além disso, contamos
com drogas que reduzem as diferentes frações do colesterol
e triglicérides, de maneira muito eficiente e com poucos efeitos
colaterais.
É uma questão de disciplina do médico e do paciente.
Não podemos culpar só o paciente. Às vezes, o
médico é também um pouco relaxado no controle,
em virtude do tempo gasto para explicar a necessidade das revisões
periódicas e dos controles. Por outro lado, o doente talvez
fuja com medo de novas terapias intervencionistas o que, na verdade,
todos queremos evitar.