Obesidade

Drauzio – Há
pouco tempo a cidade de São Paulo fez 450 anos e vi uma série
de exposições fotográficas que mostravam uma
cidade pequena, ainda provinciana nas primeiras décadas do
século XX. Mas, o que me chamou especialmente a atenção
foi não aparecer nenhum transeunte obeso nas fotos. Eram todos
absolutamente magros, talvez porque andassem muito, a comida fosse
proporcionalmente mais cara do que é hoje e mais difícil
o acesso a alimentos de alto teor calórico. Essas fotos deixavam
claro que a obesidade é um problema mais recente que cresce
não só em São Paulo, mas no Brasil, onde mais
de 40% das pessoas estão com excesso de peso. Você acha
que o homem vai ter sabedoria para controlar essa tendência
à obesidade?
Sergio Oliveira – Certamente vai ser difícil
porque a tentação é grande. As fotografias que
você mencionou referem-se a um tempo em que as pessoas tinham
o hábito de comer em casa. Não havia muitos restaurante
e, menos ainda, os fast-foods. Elas tomavam café da manhã
antes de sair de casa e a grande maioria voltava para o almoço
e o jantar. Nos intervalos, quando muito, tomavam um cafezinho ou
algo equivalente.
Hoje, há oferta exagerada de alimentos. Máquinas põem
à disposição comida, cheia de calorias e de sal
(outro inconveniente), que é rapidamente deglutida.
Como não é fácil resistir a tanto apelo, são
necessárias campanhas de esclarecimento para mostrar que comer
muito pode matar mais do que a fome que, até certo ponto, não
é prejudicial. É preciso chamar a atenção
sobre o problema que a obesidade representa para a vida das pessoas.