Mudança de estilo de vida

Drauzio – Segundo
sua larga experiência pessoal, quantos doentes submetidos a
cirurgias complicadíssimas do coração, que passam
dias na UTI e sofrem um pós-operatório terrível,
mudam radicalmente o estilo de vida?
Sergio Oliveira – Alguns promovem mudanças
radicais. Eu me lembro de um paciente que operei há muitos
anos. Era um juiz estressadíssimo, fumante, sedentário,
pai de uma menina pequena, temporã, que brincavam ser sua neta.
Depois da cirurgia, ele prometeu que iria mudar de vida, construiu
quase um ginásio de esportes em sua casa de campo e adotou
uma conduta no dia-a-dia que visava não só à
mudança pessoal, mas também a das pessoas que com ele
conviviam. Se no tribunal aparecia alguém nervoso, ele pedia
que saísse da sala , descansasse um pouco e depois voltasse
para conversar.
Esse homem mudou radicalmente depois da cirurgia e tenta convencer
as outras pessoas da importância da alimentação
saudável, da prática de exercícios, do controle
da tensão e da necessidade de enfrentar com equilíbrio
os problemas de todos os dias e de parar de fumar.
Não é fácil controlar o temperamento, mas é
possível. Entretanto há pacientes que não levam
a sério as orientações recebidas mesmo depois
de ter passado por um período de muito sofrimento, na UTI,
com insuficiência renal, fazendo diálise e precisando
de assistência ventilatória prolongada. Fato curioso
é que, quando se recuperam, parece que não lembram direito
do que lhes aconteceu. Isso mostra como a natureza é sábia.
Dá força extra para o indivíduo no momento de
necessidade grande e depois apaga as más lembranças.
O problema é que essas pessoas não se conscientizam
de que precisam mudar o estilo de vida.