Principal causa de morte

Drauzio – A idéia
de que as mortes por problemas do coração constituem
um problema moderno, da segunda metade do século XX, tem fundamentação
científica? Não se poderia pensar que hoje o homem morre
mais do coração porque vive mais do que viviam seus
antepassados?
Sergio Oliveira – A prevalência das doenças
cardíacas aumentou, em parte, porque as pessoas vivem mais,
em parte talvez porque os hábitos de vida mudaram bastante
nas últimas décadas.
Não há dúvida de que atualmente, nos países
civilizados e nos nem tão civilizados assim, a doença
cardíaca é uma das principais causas de morte. Não
se pode esquecer, porém, de que no passado muitas doenças,
por exemplo o câncer e certas doenças infecciosas, tinham
tratamento limitado e estavam entre as causas freqüentes de morte.
De qualquer modo, o infarto do miocárdio, ou seja, a doença
coronária, é a primeira causa de morte no mundo de hoje.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, que só
não considera a região abaixo do Saara, na África,
porque não existem dados epidemiológicos adequados,
morrem de 6 a 7 milhões de pessoas por ano no mundo por infarto
do miocárdio.
O Brasil não escapa dessa realidade. Primeiro, porque as pessoas
estão vivendo mais; segundo, por causa do estilo de vida que
levam.
Estamos acostumados a relacionar a morte com fome, com falta de comida
e constatar que a população está engordando cada
vez mais pode parecer mera preocupação estética.
Entretanto, o consumo de alimentos também pode transformar-se
em causa de morte na medida em que favorece a obesidade, com freqüência
acompanhada por hipertensão e diabetes, complicações
que aceleram a evolução da doença coronariana.
Sabemos, desde a Guerra da Coréia, que a doença coronariana
atinge também os jovens. Muitos dos soldados do exército
americano, que morreram em batalha, já a apresentavam de forma
incipiente ou manifesta aos vinte e poucos anos de idade.