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Cirurgia do coração
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Dr.Sergio Almeida de Oliveira é um dos maiores cirurgiões brasileiros na área da Cardiologia. Professor da Faculdade de Medicina da USP, trabalha no INCOR desde sua fundação e treinou um sem-número de especialistas espalhados não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina.


Principal causa de morte

DrauzioA idéia de que as mortes por problemas do coração constituem um problema moderno, da segunda metade do século XX, tem fundamentação científica? Não se poderia pensar que hoje o homem morre mais do coração porque vive mais do que viviam seus antepassados?
Sergio Oliveira – A prevalência das doenças cardíacas aumentou, em parte, porque as pessoas vivem mais, em parte talvez porque os hábitos de vida mudaram bastante nas últimas décadas.
Não há dúvida de que atualmente, nos países civilizados e nos nem tão civilizados assim, a doença cardíaca é uma das principais causas de morte. Não se pode esquecer, porém, de que no passado muitas doenças, por exemplo o câncer e certas doenças infecciosas, tinham tratamento limitado e estavam entre as causas freqüentes de morte.
De qualquer modo, o infarto do miocárdio, ou seja, a doença coronária, é a primeira causa de morte no mundo de hoje. Segundo a Organização Mundial de Saúde, que só não considera a região abaixo do Saara, na África, porque não existem dados epidemiológicos adequados, morrem de 6 a 7 milhões de pessoas por ano no mundo por infarto do miocárdio.
O Brasil não escapa dessa realidade. Primeiro, porque as pessoas estão vivendo mais; segundo, por causa do estilo de vida que levam.
Estamos acostumados a relacionar a morte com fome, com falta de comida e constatar que a população está engordando cada vez mais pode parecer mera preocupação estética. Entretanto, o consumo de alimentos também pode transformar-se em causa de morte na medida em que favorece a obesidade, com freqüência acompanhada por hipertensão e diabetes, complicações que aceleram a evolução da doença coronariana.
Sabemos, desde a Guerra da Coréia, que a doença coronariana atinge também os jovens. Muitos dos soldados do exército americano, que morreram em batalha, já a apresentavam de forma incipiente ou manifesta aos vinte e poucos anos de idade.