Comer Compulsivo
Compulsão alimentar
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Comer compulsivo na infância
Fatores genéticos e de gênero
Tratamento
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Evolução da doença
Bulimia nervosa e comer compulsivo
Prevenção






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Alexandre Azevedo é médico psiquiatra, membro do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (AMBULIM) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Fatores genéticos e de gênero

Drauzio – Há concentração de casos de comer compulsivo em algumas famílias, fazendo supor que existam fatores genéticos associados?
Alexandre Azevedo – Existe a suposição de que existam fatores genéticos familiares associados, mas é muito difícil diferenciá-los do mau hábito alimentar que possa favorecer os episódios de compulsão. Embora seja comum encontrar comedores compulsivos com sobrepeso ou obesidade fazendo parte de famílias também com histórico de sobrepeso e obesidade, o mau hábito alimentar adquirido em casa pode ter servido de gatilho para o aparecimento da doença em vários membros dessas famílias. De qualquer modo, em psiquiatria, todos os fatores devem ser levados em consideração: ambiente familiar, social, de trabalho, questões genéticas e familiares e assim por diante.

Drauzio Você disse que o aparecimento do comer compulsivo é mais freqüente na segunda ou terceira década de vida. Essa doença acomete mais homens do que mulheres?
Alexandre Azevedo – Trabalhos mostram que a prevalência é igual nos dois sexos, mas as mulheres procuram mais o tratamento do que os homens. Buscam tratamento não porque estejam preocupadas com os episódios de compulsão alimentar, que fica evidente quando se levanta histórico clínico, mas porque estão preocupadas com os sinais de sobrepeso ou obesidade. Em geral, os homens não se incomodam com isso até porque seja socialmente aceito que os homens comam mais e pesem mais do que as mulheres.
Em relação à idade, observa-se que, na segunda e terceira década de vida, podem desencadear ou facilitar o comer compulsivo tanto os eventos bons quanto os ruins (casamento, separação, perda de emprego, promoção no trabalho).

Drauzio
Qual é o índice de prevalência do comer compulsivo na população?
Alexandre Azevedo - No Brasil, não existem dados a respeito, mas pesquisas realizadas em outros países mostram que a doença acomete em torno de 1,5% da população geral adulta. Se forem selecionados os obesos, dependendo do trabalho, verificou-se que esse número pode subir até 8%, 10%, 12% e, se considerados apenas os obesos grau três, candidatos a cirurgia de redução do estômago, entre 25% e 50% desses pacientes apresentam compulsão alimentar.

DrauzioO curioso é que o comer compulsivo não está obrigatoriamente associado à obesidade.
Alexandre Azevedo – Inevitavelmente, em algum momento, a maioria de comedores compulsivos se tornará obesa ou, pelo menos, com algum sobrepeso, pois é improvável que a ingestão de grande quantidade de alimentos, por longo período de tempo, não se reflita no ganho de peso.
No entanto, levando em consideração a questão genética e metabólica, a prática de atividade física regular ou a compensação alimentar que o portador possa fazer nos horários não-compulsivos, seguindo uma dieta de baixo valor calórico, a alimentação do episódio de compulsão pode não favorecer o ganho de peso.
É preciso ter em mente que a compulsão alimentar não é só por alimentos ricos em carboidratos e gorduras. Manifesta-se também por alimentos que fazem parte da dieta equilibrada e, embora ingeridos em grandes quantidades, não são tão ricos em calorias.
Vamos supor que a ingestão calórica de uma pessoa gire em torno de 1.800, 2.000 calorias por dia. Num único episódio de compulsão alimentar, se comer açúcares e gorduras, ela poderá ingerir até 5.000kg/cal e, conseqüentemente, terá um sobrepeso importante.
Já se a compulsão for por frutas, por exemplo, a soma calórica total não vai ser tão grande e o comer compulsivo não reverterá necessariamente em sobrepeso ou obesidade.