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Dr. Luiz Antônio Rivetti é professor de cirurgia cardiovascular na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Cirurgia Cardiovascular

Até o fim da Segunda Guerra Mundial, mexer no coração era um tabu que poucos ousavam desafiar. Para ter uma idéia, em 1925, na Inglaterra, dois médicos operaram a válvula mitral de um paciente e por isso foram perseguidos pela Academia Real de Medicina daquele país.
Terminada a Segunda Guerra, Dwight Harkin, médico cirurgião do exército americano na Europa, voltou para Filadélfia com enorme experiência em ferimentos cardíacos. Daí em diante, o coração passou a ser encarado sob outro prisma. Antes de Harkin, era visto como uma víscera comum, semelhante ao estômago ou ao intestino, embora se soubesse que, maltratado técnica e taticamente, deixaria de funcionar e o indivíduo morreria. Conseqüentemente, ninguém se atrevia a propor inovações e a cirurgia cardíaca foi a última especialidade cirúrgica a desenvolver-se.
No entanto, quando tomou impulso, os resultados foram surpreendentes. Em 1968, por exemplo, foi realizado o primeiro transplante cardíaco. Em se tratando de troca de órgãos, apenas os rins já haviam sido substituídos anteriormente. Na década de 1970, mais um avanço: indivíduos viveram anos depois de ter recebido um coração mecânico.