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Evolução e diagnóstico Drauzio – Como evoluem essas lesões, desde a pré-maligna até a francamente maligna que se dissemina pelo organismo? Orlando Parise – Às vezes, passam-se vinte anos entre o início das alterações pré-malignas até o câncer tornar-se invasivo. Em termos de saúde pública, é um tempo enorme que permitiria fazer todo tipo de rastreamento populacional e tratar as pessoas que estão a risco. Infelizmente, isso não ocorre no Brasil, embora o diagnóstico seja barato e não exija exames sofisticados como a ressonância magnética, por exemplo, pois bastam um espelhinho e o treinamento do profissional que faz a avaliação. Drauzio – Muitos desses diagnósticos são feitos pelo dentista, que descobre uma lesão que nem mesmo o paciente tinha percebido. Você acha que, de maneira geral, os dentistas estão preparados para fazer o diagnóstico precoce? Orlando Parise – Atualmente estão muito mais preparados do que há quinze, vinte anos. O próprio Ministério da Saúde desenvolve programas visando à saúde bucal. Embora a situação tenha melhorado muito, de vez em quando, aparecem pacientes que fizeram tratamento dentário durante meses sem que o dentista tivesse notado a lesão que crescia. Drauzio – O álcool potencializa a ação da nicotina. Com que freqüência devem fazer exames preventivos da boca e da garganta as pessoas que bebem e fumam ou aquelas que fumam, mas não bebem? Orlando Parise – Não sei responder essa pergunta. Só sei que o pico da incidência desses tumores ligados ao cigarro ocorre na quinta ou sexta década de vida. Por isso, depois dos cinqüenta, sessenta anos, o fumante deve procurar um médico ou o dentista para avaliação da boca e da garganta e fazer raios X de tórax. Além disso, independentemente da idade, qualquer alteração no timbre de voz ou dificuldade de deglutição deve chamar a atenção e ser avaliada. Do mesmo modo, pessoas que convivem com tabagistas não estão livres do problema. Nós cansamos de receber pacientes com carcinoma ligado ao cigarro que, embora nunca tenham fumado, conviveram com fumantes por muito tempo. Drauzio – Como você avalia clinicamente um fumante com 55 anos, que bebe de vez em quando, no que diz respeito à boca e à garganta? Orlando Parise – Basicamente, o exame consiste em examinar a boca para verificar se existem lesões suspeitas, palpar o pescoço para sentir se há gânglios comprometidos e fazer uma nasofibroscopia (exame para olhar a parte de trás da garganta e os seios piriformes através de uma fibra ótica fininha que é introduzida pelo nariz). O mais importante, porém, é a pessoa estar atenta aos sintomas e procurar um profissional capaz de interpretá-los. Drauzio – Às vezes, os tumores provocam dor ao deglutir. Dor de garganta, porém, é um sintoma freqüente em pessoas com quadros alérgicos e a garganta irritada também torna difícil engolir. Qual a diferença entre dificuldade de deglutição provocada por doença invasiva e a provocada por doenças banais? Orlando Parise – A dificuldade de deglutição não é um sintoma muito valorizado nos diagnósticos de câncer da boca e garganta. Certas condições clínicas, crônicas, provocam dificuldade de deglutir. Por exemplo, paciente com refluxo gastroesofágico tem dificuldade para engolir porque o conteúdo ácido do estômago extravasa e irrita o esôfago e a laringe. No entanto, se houver alterações da voz (disfonia), que persistem durante duas ou três semanas, é preciso procurar atendimento de um especialista. |
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