Técnica cirúrgica atual


Drauzio - Como é feita a cirurgia atualmente?
Amaryllis - Atualmente, a cirurgia passou por uma revolução
tecnológica muito grande e as incisões podem medir menos do que 3mm.
O bisturi que se vê na imagem 2, por exemplo, tem mais ou menos 3mm
de diâmetro e a incisão feita é minúscula, do tamanho suficiente para
a introdução do aparelho. A imagem 3 mostra uma incisão acessória
de mais ou menos 1mm na qual são colocados instrumentos para apoiar
o olho. A catarata, marcada em vermelho na imagem 4, normalmente não
se desenvolve de forma
homogênea. Há partes do cristalino em que a doença se manifesta com
maior ou menor intensidade. Para deixar mais claro o processo cirúrgico,
vamos comparar o cristalino com um ovo cozido. Por fora, ele é revestido
por uma capa semelhante à casca do ovo na qual é feita uma pequena
abertura por onde é solto e retirado, tomando cuidado para preservar
intacta sua parte posterior que servirá de apoio à lente que será
implantada para corrigir a visão. O aparelho utilizado nessa técnica
cirúrgica chama-se facoemulsificador e representou uma revolução na
cirurgia da catarata (imagem 5). Não se trata de laser como muita
gente pensa. O aparelho funciona como uma britadeira que tritura e
aspira a catarata (a gema e a clara do ovo), sem lesar a parte posterior
da "casca" onde será apoiada a lente que substituirá o cristalino.
A cirurgia é simples, mas requer treinamento e habilidade do cirurgião
para
evitar complicações. A imagem 6 mostra que já foi retirada grande
parte dos fragmentos pulverizados pelo aparelho e a imagem 7, um esquema
da lente que atualmente não tem mais esse formato. É mais arredondada
e possui dois prolongamentos chamados hápticos.
Drauzio - Você poderia descrever a lente que substituirá
o cristalino e aparece na imagem 8?
Amaryllis - A lente é redonda e transparente e está dobrada
ao meio. Presa na ponta de uma pinça está pronta para ser colocada
na parte posterior do cristalino. Se não entrasse dobrada, o corte
obrigatoriamente seria maior, mediria 7mm. Na imagem 8 ela já aparece
aberta dentro do olho e apoiada na parte posterior do cristalino.
Drauzio - Com que finalidade essa lente é colocada para
substituir o cristalino e ela é igual para todos os pacientes? 
Amaryllis - Existe uma medida de lente especial para cada pessoa
e sua função é fazer convergir a luz na mácula. No entanto, ela apresenta
algumas limitações em relação ao cristalino natural, uma vez que só
consegue fazer a convergência para longe. Para enxergar bem de perto,
depois que opera catarata, a pessoa precisa de óculos. No entanto,
várias pesquisas estão sendo desenvolvidas para vencer essa dificuldade,
embora ainda não tenha sido encontrada a lente multifocal ideal para
substituir o cristalino danificado pela catarata.
Drauzio - Como em geral a catarata aparece depois dos 50
anos, fase em que a maioria das pessoas usa óculos para enxergar de
perto, a mudança não é muito grande.
Amaryllis - Normalmente o que acontece depois da cirurgia de
catarata é a pessoa necessitar de óculos mais fracos para enxergar
de longe e dos mesmos óculos para leitura que usava anteriormente.
A esperança para dispensar seu uso está no desenvolvimento das lentes
multifocais.
Drauzio - Você poderia explicar as imagens 9, 10 e 11?
Amaryllis - Na imagem 9 é possível observar que a pupila está
totalmente esbranquiçada e não transparente como deveria ser. A catarata
que ali se formou impede a entrada da luz no olho e seu portador não
enxerga. A imagem 10 mostra um estágio menos avançado da doença. Observe
que há áreas ainda transparentes e outras bem opacas. Se a catarata
não for operada nesse momento, evoluirá normalmente e tomara todo
o cristalino. A imagem 11 é da pupila vista na imagem 9, só que tirada
depois da cirurgia. Ela está de novo transparente e permitindo a passagem
da luz.
Drauzio - Antigamente a pessoa que se submetia à cirurgia
de catarata passava vários dias no hospital. Hoje, é operada de manhã
e vai para casa à tarde. Como é o pós-operatório dessa
cirurgia?
Amaryllis - O pós-operatório é muito mais tranqüilo. Antes
a pessoa era obrigada a ficar internada, num quarto escuro e, mesmo
depois da alta, tinha de voltar várias vezes ao consultório do médico
ou ao hospital para fazer curativos. Atualmente, a cirurgia pode ser
feita com anestesia local ministrada através de injeção ou de colírios.
Drauzio - O que sente o paciente que toma anestesia local
para fazer a cirurgia?
Amaryllis - Quando se utiliza apenas colírio como anestésico,
o desconforto do paciente é maior porque a luz do microscópio incide
diretamente sobre o olho que está sendo operado. A vantagem é que
ele sai da sala com o olho aberto, usando os colírios pós-operatórios
normalmente e, no máximo em duas semanas, sua visão estará recuperada.
Em alguns casos, a pessoa volta até a enxergar direito já no dia seguinte
ao da cirurgia. 
Drauzio - É possível fazer com que o paciente não sinta
dor ou outro incômodo qualquer durante a cirurgia? Amaryllis - É possível
com sedação e pingando colírios.
Drauzio - Depois da cirurgia, ele sente dor? Amaryllis - Não
sente nenhuma dor. Se a anestesia foi feita por injeção, sai da sala
com o olho coberto com um tampão. Se foi feita com colírio e sedação,
sai com o olho aberto, enxergando e recebe um tampão transparente
apenas para proteger o olho contra um trauma qualquer ou para evitar
a penetração de um cisco, por exemplo.
