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Catarata na infância Drauzio - A catarata é uma doença que está associada às pessoas de mais idade, mas ela pode acometer também pessoas mais jovens. Por que ela aparece numa idade mais precoce? Amaryllis - A causa mais comum de catarata é mesmo a senilidade, ou seja, o envelhecimento, mas existem crianças que já nascem com a doença. Mães que durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre, tiveram rubéola ou toxoplasmose podem passar a infecção para o feto e a criança nasce com vários problemas oftalmológicos, entre eles a catarata. Drauzio - O pediatra pode diagnosticar a catarata ainda quando a criança está no berçário? Amaryllis - Pode. Aliás, a indicação é fazer o diagnóstico ainda no berçário. É um exame muito simples. O pediatra faz incidir a luz de uma lanterna nos olhos da criança e verifica se a pupila ou menina do olho é transparente. A presença de um reflexo esbranquiçado pode ser sinal de catarata ou de outras doenças mais graves. Drauzio - Nesse caso, com que urgência a criança deve ser encaminhada para um oftalmologista? Amaryllis - Imediatamente. A catarata no recém-nascido é realmente uma urgência. Se a criança não for operada até os dois ou três meses de idade, especialmente se apenas um olho estiver com o problema, ela poderá nunca ter visão normal na vida. Drauzio - É importante lembrar que, ao nascer, a falta do estímulo luminoso adequado deixa a criança cega. Amaryllis - Exatamente. É preciso propiciar à criança todas as condições para que tenha o desenvolvimento normal da visão e isso depende do estímulo luminoso a que será exposta. Por exemplo, se a pálpebra estiver fechada, ou se a criança for portadora de qualquer outra enfermidade que impeça a luz de entrar pelos olhos e ir estimular o cérebro, sua visão não se desenvolverá. Drauzio - Uma criança que nasça com um olho comprometido por qualquer motivo, em quanto tempo perderá definitivamente a visão desse olho? Amaryllis - No caso da catarata ou de qualquer outra doença (pálpebra fechada ou retina comprometida, por exemplo), cada dia que passa sem receber o estímulo luminoso adequado representa um atraso grande no desenvolvimento da visão da criança. Por isso, o tratamento que pode ser cirúrgico ou clínico deve ser realizado o mais rápido possível, principalmente se o problema for de um lado só. É preciso agir depressa, uma vez que o outro olho estará recebendo estímulo normalmente, o que gera uma diferença muito grande no funcionamento de ambos. Muitas vezes, o tratamento consiste em fechar o olho bom com curativo oclusivo, popularmente conhecido como tampão, para estimular a visão do olho comprometido. Em geral, o prazo para que isso aconteça vai até os sete anos, mas não se pode esperar até os seis para tomar as providências necessárias, pois será insuficiente o tempo que resta para igualar a visão nos dois olhos. |
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