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Miscigenação de raças: fator protetor
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Dr. Ivan de Oliveira Santos é médico, especialista no tratamento de tumores de pele e professor de cirurgia desses tumores na Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo.


Miscigenação de raças: fator protetor

DrauzioNum país como a Austrália, em que a maioria dos habitantes tem pele muito clara e o sol é fortíssimo, esses números são outros, não é?
Ivan – São dez vezes maiores do que no Brasil. A situação geográfica não justifica essa diferença. O Trópico de Capricórnio passa no estado de São Paulo e na província de Queensland, no nordeste da Austrália. Praias existem aqui e lá. A diferença está na miscigenação étnica. O Brasil é um país relativamente protegido porque grande parte significativa da população tem sangue índio e negro e há trabalhos mostrando que essa miscigenação racial tornou nosso povo, de certa forma, mais resistente.
Na Austrália, isso não ocorreu. A maioria da população é branca, descendente de ingleses, escoceses e irlandeses e não se misturou com o aborígene australiano, que é negro, de cabelos escorridos (diferente do africano) e mais resistente ao sol. Como conseqüência, ali se verificou o mais alto índice de melanoma do mundo durante algum tempo. Diante disso, desde a década de 1960, foram criadas campanhas intensivas de esclarecimento mostrando lesões que ajudavam a identificar a doença e a realidade mudou, como mudou a maneira de fazer o diagnóstico. As lesões deixaram de ser avaliadas tardiamente e a conscientização das pessoas permitiu que 87% dos casos pudessem ser curados.