BUSCA

 


Câncer de pele
Perigos da exposição ao sol
Tipos de pele e reação ao sol
Critério na escolha dos protetores solares
Feridas que não cicatrizam
Melanoma: tumor de maior malignidade
Cuidados especiais em pessoas com muitas pintas
Miscigenação de raças: fator protetor
Câncer de pele e bronzeamento artificial





Dr. Ivan de Oliveira Santos é médico, especialista no tratamento de tumores de pele e professor de cirurgia desses tumores na Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo.


Melanoma: tumor de maior malignidade

Drauzio Em geral, o melanoma maligno é um tumor que aparece sobre pintas já existentes e que apresentam alguns sinais importantes. Quais são eles?
Ivan – Na imagem 2, aparece uma lesão pigmentada característica que exige, pelo menos, uma biópsia. Chama a atenção sua assimetria, ou seja, se cortarmos a lesão no meio, uma metade não vai se sobrepor sobre a outra horizontal e verticalmente. Outra característica importante são as bordas irregulares, semelhantes ao desenho do litoral num mapa geográfico. Não se trata de uma lesão redondinha, própria das lesões benignas. A terceira característica está na multiplicidade de cores. Há partes róseas, outras mais escuras, outras negras, marrons, cor de bronze e alaranjadas. As lesões benignas não são assim. Por fim, chama a atenção o diâmetro maior do que 6mm, uma medida que corresponde ao tamanho do fundo de um lápis.
Portanto, a regrinha básica para reconhecer um melanoma maligno e a do ABCD: A de assimetria, B de bordas irregulares, C de cor e D de diâmetro. Se a pessoa tiver uma pinta com três dessas características, deve procurar imediatamente um médico.

Drauzio Na imagem 3, quais são as características que devem ser notadas?
Ivan – Essa lesão parece ser grande, é assimétrica, tem bordas irregulares e cores diferentes. É negra apenas numa das pontas e de outra cor no restante do nevo. Na imagem 4, também existe uma multiplicidade de cores e contornos irregulares. No centro, há uma área despigmentada que, às vezes, pode indicar uma área de regressão, isto é, a pinta foi se modificando e perdeu a cor escura que havia naquele lugar. Já a imagem 5 apresenta um nevo difícil de ser encontrado. É provável que se trate de um nevo displásico e atípico que pode transformar-se numa lesão maligna. Como é uma lesão assimétrica, tem bordas irregulares e multiplicidade de cores precisa ser retirada.

DrauzioHá uma crença que pintas com pêlos como essa são sempre nevos benignos. Isso é verdade?
Ivan – Não é. Principalmente os nevos congênitos podem ter pêlos e apresentar sinais de malignidade ou transformar-se numa lesão maligna.

DrauzioQuais as características da lesão configurada na imagem 6?
Ivan – É uma lesão um pouco mais saliente, assimétrica, com bordas irregulares, cores diferentes e diâmetro maior. Essa lesão vegetante indica um caso grave de um melanoma em evolução. É evidente que quanto mais espessa a lesão, maior a possibilidade de ter-se aprofundado e dado origem a metástases, ou raízes.

DrauzioQuanto mais espessa e alta a lesão e quanto mais profunda for, pior?
Ivan - Pior. A imagem 7 mostra um melanoma do tipo disseminativo e superficial. Possui multiplicidade de cores, assimetria e bordas irregulares, sinais indicativos de possível malignidade.
Outra característica que pode se manifestar nos melanomas é a coceira. Se a pessoa diz – “doutor, esta pinta está coçando” - o médico deve observar bem a lesão. O prurido indica que a pinta não é estável e que pode estar crescendo.

Drauzio Pinta que coça deve sempre ser retirada?
Ivan – Deve sempre ser observada. Às vezes, trata-se de uma queratose seborréica, uma lesão superficial sem complicações. No entanto, isso não invalida que a lesão seja acompanhada atentamente.

Drauzio Essa lesão da imagem 8 é irregular, mas bem redondinha. Que outras características apresenta?
Ivan – Ela apresenta uma pigmentação diferente na parte inferior, é mais clara no meio e um pouco mais espessa, mais saliente. É um tipo de lesão que precisa ser retirada.
Provavelmente, trata-se de um melanoma nodular que nasceu em cima de uma pinta. Veja que na parte lateral direita parece uma pinta, mas na borda cresceu um nódulo, isto é, já se formou um caroço ali.
Nem todos os melanomas nascem em cima de pintas. Eles podem nascer numa pele normal e irem aumentando de tamanho. Muitas vezes, a primeira manifestação do melanoma nodular é um caroço que surge sem apresentar a fase pré-neoplásica.
A imagem 9 mostra um caso mais grave: um melanoma volumoso e já ulcerado. A ulceração sempre indica um prognóstico pior.

Drauzio Pinta que sangra deve ser retirada sempre, não é mesmo?
Ivan – Tem que retirar sempre. Antigamente, aprendia-se na escola que o melanoma era um caroço ulcerado do qual saía sangue e que, muitas vezes, doía. Por isso, o diagnóstico era feito tardiamente. Hoje, tentamos fazê-lo cada vez mais cedo, tanto observando as características preconizadas pela regrinha do ABCD como pela dermatoscopia. Assim, conseguimos curar muito mais casos de melanoma do que curávamos no passado.
No Hospital do Câncer, por exemplo, a maioria dos pacientes que recebíamos tinham lesões avançadas. Isso está mudando. As pessoas estão mais informadas o que facilita a prevenção secundária, ou seja, a possibilidade de acompanhar as pintas que nasceram ou estão crescendo e que apresentam características como assimetria, bordas irregulares e multiplicidade de cores. Resultado: pegamos lesões iniciais que podem ser curadas em quase 100% dos casos, dependendo da espessura. Se a espessura for maior do que 4mm, porém, aumenta a probabilidade de formação de metástases o que complica o quadro e dificulta a cura.