Perigos da exposição ao sol

Drauzio – O que revelou o estudo realizado
na Universidade Federal de São Paulo avaliando o conhecimento
das pessoas em relação aos malefícios causados
pelo excesso de sol?
Ivan – Esse estudo revelou resultados bastante
interessantes. Durante uma das campanhas promovidas pela universidade,
fizemos uma enquete com a colaboração de alunos e residentes
para verificar o que as pessoas sabiam a respeito dos danos causados
pela exposição excessiva ao sol. Para tanto, entrevistamos
um número grande e diversificado de indivíduos e chegamos
à seguinte conclusão: 70% a 80% dos entrevistados sabiam
que o sol pode causar câncer de pele e envelhecimento precoce
especialmente nas pessoas de pele clara. Apesar disso, essas pessoas
admitiam que, no verão seguinte, gostariam de tomar sol porque
se achavam mais bonitas quando bronzeadas. É interessante essa
contradição. Entre dominar racionalmente a informação
e mudar de hábitos, vai uma distância imensa.
Drauzio – Todo mundo sabe que no início
da manhã e no final da tarde o sol traz menos prejuízos
para pele o que não acontece nos outros horários. Como
se explica essa diferença?
Ivan – Das dez horas da manhã até
as três ou quatro horas da tarde, há prevalência
dos raios ultravioleta do tipo B. Embora o comprimento de onda desses
raios não seja tão longo quanto o do tipo A, ele é
mais cancerígeno e provoca mais alterações na
pele, entre elas o carcinoma espinocelular.
Sempre se acreditou que os raios ultravioleta do tipo A, que incidem
no restante do dia, fossem menos maléficos, apesar de provocarem
o envelhecimento precoce da pele por serem mais profundos. Ultimamente,
porém, uma série de trabalhos sobre o assunto está
relacionando esse tipo de raios à incidência de melanoma,
entre todos o mais perigoso dos tumores, pois pode levar o indivíduo
ao óbito. O basocelular e o espinocelular são carcinomas
mais facilmente curáveis, embora, algumas vezes, provoquem
deformidades. O melanoma, no entanto, tem maior capacidade de desenvolver
metástases, popularmente chamadas de raízes, e de comprometer
o funcionamento de outros órgãos. Por isso, pessoas
de pele clara, principalmente, devem saber tomar sol.
Drauzio – O que é saber tomar sol?
Ivan – Como regra básica, todos podem
e devem tomar sol, mas para cada um existe um limite tolerável
de exposição que deve ser respeitado. A pessoa pode
identificar seu limite, observando o eritema, ou seja, o vermelhidão
ardido que se forma na pele e que incomoda à noite. Há
pessoas com pele muito sensível que vão à praia,
por exemplo, e nunca conseguem ficar morenas. Essas, infelizmente,
não podem tomar muito sol porque não foram preparadas
pela natureza para morar em países tropicais como o Brasil
ou a Austrália, onde o sol é intenso. Já uma
pessoa com pele que chamamos do tipo 3, a que vai à praia e
logo consegue ficar moreninha, não tem tanto problema porque
essa coloração funciona como um filtro solar que a natureza
lhe deu, aliás, o melhor filtro solar que existe, pois protege
bastante contra os raios ultravioleta do sol.