Acidente vascular cerebral - AVC
Principais causas e fatores de risco
Sintomas
Importância do atendimento precoce
Possibilidades de tratamento






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Dr. Eli Evaristo é médico neurologista e trabalha no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e no Hospital Osvaldo Cruz.

Possibilidades de tratamento

DrauzioNo passado, diante de um quadro de AVC, muita gente imaginava que nada mais poderia ser feito porque o problema já tinha acontecido. Esse é um conceito superado. Atualmente se sabe que é possível reduzir os danos provocados pelo AVC desde que ele tenha acabado de acontecer. Se ocorreu há vários dias , porém, pouco pode ser feito, porque os danos já estarão instalados.
Eli Evaristo – Algumas intervenções importantes, que podem ser feitas atualmente, mudaram o panorama de tratamento dos acidentes vasculares cerebrais. Para começar, hoje, a postura do médico é mais ativa e dinâmica no sentido de preservar o mais possível a função do cérebro, especialmente no grupo de AVC isquêmico, por sinal, o mais comum, uma vez que mais ou menos 80% dos popularmente chamados derrames cerebrais são acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.
É sempre bom lembrar ainda que mesmo que a alteração tenha sido transitória, o paciente deve ser levado para o hospital. Talvez, o sintoma não mais exista, mas a investigação urgente da causa desencadeante do problema pode prevenir a ocorrência de outro episódio em curto espaço de tempo.
Algumas estatísticas mostram que acidentes vasculares isquêmicos transitórios podem ser prenúncio de um quadro definitivo que se instalaria nas 48 horas seguintes. Portanto, se a pessoa não der importância aos primeiros sintomas e marcar uma consulta médica para quinze ou trinta dias mais tarde, estará correndo um risco enorme de que algo mais grave aconteça.

Drauzio Em que consiste o atendimento hospitalar do paciente com sintomas de AVC transitório?
Eli Evaristo – Assim que a pessoa chega ao hospital procura-se avaliar o mecanismo desencadeante dos sintomas do AVC transitório que, muitas vezes, já desapareceram. Diagnosticar doença aterosclerótica, ou seja, se alguma artéria está passando por um processo de entupimento, ou um problema cardíaco que explique a chegada de coágulos no cérebro e introduzir o tratamento adequado para cada caso enquanto o paciente está normal, pode prevenir a ocorrência de novos episódios.
Mesmo para os pacientes que chegam ao hospital com um quadro isquêmico mais dramático e alterações mais graves e intensas, existem tratamentos possíveis. O mais novo chama-se trombólise e consiste no uso de uma substância, normalmente por via endovenosa, para destruir o coágulo que obstruiu a artéria cerebral.
Entretanto, do ponto de vista médico, nem todos os pacientes podem receber o tratamento trombolítico. O principal critério para indicá-lo está diretamente ligado ao tempo que o paciente leva para chegar ao hospital, no máximo três horas depois do início dos sintomas.

DrauzioO fato de o paciente precisar receber o medicamento até três horas depois do início dos sintomas limita muito o número de casos que podem beneficiar-se com o tratamento trombolítico.
Eli Evaristo – É verdade. Por isso, faz muita diferença o reconhecimento precoce dos sintomas. Quanto mais depressa a comunidade for capaz de identificá-los e buscar atendimento médico, maior será o número de pessoas beneficiadas com esse tratamento.
Além de introduzir o tratamento trombolítico, outras coisas podem ser feitas assim que o paciente chega ao hospital. Com freqüência ele apresenta outros problemas de saúde, por exemplo, é diabético. Sabemos que a descompensação do diabetes na fase aguda e imediata ao AVC piora o prognóstico. Portanto, é fundamental controlar rigorosamente os níveis da glicemia visando à melhor recuperação do doente.
O paciente com AVC pode ter distúrbios de deglutição e alterações de pressão arterial extremamente perigosas. Embora atualmente sejamos muito mais liberais em relação aos níveis da pressão arterial, em alguns casos, eles precisam ser rigorosamente controlados. Todas essas medidas somadas ao início precoce da fisioterapia contribuem para melhores resultados na recuperação das funções comprometidas pela doença.

Drauzio Resumidamente, o que uma pessoa pode fazer para evitar um acidente vascular cerebral?
Eli Evaristo –Identificar os fatores de risco e modificar os que podem ser modificados é o mais importante para prevenir a doença. Controlar com rigor a pressão arterial e o diabetes, deixar de fumar e realizar atividade física representam grande benefício. Se a pessoa tem alguma doença cardíaca, deve procurar um médico que irá orientá-la quanto aos tratamentos preventivos adequados para seu caso. Além disso, se ocorrer algum sintoma que possa sugerir AVC, mesmo transitório, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para, se necessário, controlar a doença e prevenir complicações.