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Principais causas e fatores de risco Drauzio – Por que acontecem os acidentes vasculares cerebrais? Qual a causa da obstrução ou ruptura de um vaso cerebral? E. Evaristo – Existem alterações nos vasos sangüíneos que vão se instalando ao longo dos anos. Muitas vezes, é necessário muito tempo para que elas deixem as artérias enfraquecidas, com risco de ruptura no caso de acidentes hemorrágicos, ou de entupimento nos acidentes isquêmicos. As razões pelas quais essas artérias vão ficando doentes são diversas e variam de pessoa para pessoa. Drauzio – AVC em crianças é raro; em pessoas de mais idade, muito freqüente. Quais são os principais fatores de risco para o derrame cerebral? E. Evaristo – Existem fatores de risco que poderíamos chamar de não modificáveis. Por exemplo, a idade e a genética. Não dá para modificar as características genéticas nem fazer uma contagem regressiva nos anos de vida. Com o passar das décadas, aumenta o risco de desenvolver acidentes vasculares cerebrais. No entanto, há fatores de risco modificáveis. Entre eles destaca-se a hipertensão arterial, principal causa dos acidentes vasculares cerebrais tanto isquêmicos, quanto hemorrágicos. Diabetes e as dislipidemias (alterações dos níveis de colesterol e de triglicérides) são também fatores de risco importantes, especialmente para as isquemias. Tabagismo, vida sedentária, obesidade e várias doenças cardíacas (problemas do ritmo cardíaco, das válvulas do coração ou infarto do miocárdio) estão entre os fatores que podem ser tratados a fim de prevenir a ocorrência de AVC. Drauzio – Pessoas com parentes próximos que tiveram acidentes vasculares cerebrais apresentam maior risco de desenvolver a doença? Eli Evaristo – Isso depende da causa que levou o parente a ter AVC. Se na família existe predisposição genética para a doença, o risco é maior o que não acontece se a doença foi causada por fatores de risco que poderiam ter sido modificados e não foram. Drauzio – Entre todos os fatores de risco que você citou, quais estão mais relacionados à ocorrência de AVC? Eli Evaristo – A hipertensão arterial é o principal fator de risco. A seguir vêm o diabetes, as doenças cardíacas e o tabagismo. Drauzio – Você disse que a hipertensão arterial pode provocar tanto acidentes isquêmicos quanto hemorrágicos. Que alterações ela produz nas artérias do cérebro? Eli Evaristo – A hipertensão arterial provoca alterações nas paredes das artérias que não são necessariamente do mesmo tipo. No caso da isquemia, a longo prazo, ocorre o processo de aterosclerose, ou seja, a deposição de gordura e cálcio na parede do vaso que vai endurecendo lentamente. Desse modo, as placas de aterosclerose vão estreitando a luz do vaso por onde o sangue corre até gerar uma trombose, isto é, o sangue coagula dentro do vaso e interrompe a circulação sangüínea. Portanto, a hipertensão arterial é fator de risco para a aterosclerose, que é fator de risco para o AVC isquêmico. Nos acidentes hemorrágicos, a hipertensão arterial é responsável pela fragilidade de alguns pequenos vasos dentro do cérebro que, com o decorrer do tempo, podem romper-se e provocar sangramento comprometendo a região em que se localizam. |
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